Saúde da mulher: Tocantins derruba mortalidade materna com reforço no atendimento básico
Publicada em 28 de maio, 2026.
Atualizada em 4 de setembro, às 02:01.
Quem já viveu uma gestação de perto sabe que uma boa rede de apoio faz toda a diferença para que o bebê nasça com saúde. No Tocantins, o sistema público de saúde resolveu funcionar exatamente como essa rede de vizinhos e familiares que se unem para proteger a grávida, integrando desde o postinho do bairro até os grandes hospitais.
Essa conexão salvou vidas na prática. A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) registrou uma queda expressiva na RMM (Razão de Mortalidade Materna, indicador que mede o número de óbitos de mulheres por complicações na gestação ou parto a cada 100 mil nascidos vivos).
Os dados oficiais mostram o tamanho dessa mudança:
- Ano de 2024: RMM de 79,09 com 17 óbitos registrados.
- Ano de 2025: Redução para 48,55 com 11 mortes registradas.
- Primeiro quadrimestre de 2026: Indicador caiu para 42,70 com apenas 3 mortes no período.
O ponto-chave para essa redução é o fortalecimento das UBS (Unidades Básicas de Saúde), que funcionam como a porta de entrada para as mulheres nos 139 municípios do estado. É lá que elas recebem consultas de pré-natal, exames preventivos do câncer do colo do útero e planejamento familiar.
Para os casos de média ou alta complexidade, o Estado organizou a Linha de Cuidado Materno-Infantil, garantindo que a gestante seja encaminhada para os hospitais sem perder tempo. Além disso, médicos e enfermeiros passaram pelo 2º Ciclo de Oficinas para aplicação do Implanon (um implante contraceptivo subdérmico de longa duração inserido embaixo da pele).
O que muda na prática
Para as pacientes, essa rede integrada significa um atendimento mais rápido e humanizado bem perto de casa. A dona de casa Maria das Dores Silva sentiu essa segurança ao ser acompanhada desde o início da gravidez na unidade do seu bairro.
Segundo o secretário estadual da Saúde, Carlos Felinto, o foco é investir na qualificação dos profissionais em todas as regiões. O plano de ação inclui o monitoramento constante de maternidades e cursos sobre manejo clínico e inserção de contraceptivos como o DIU (dispositivo intrauterino) e o implante de etonogestrel.
A diretora de Atenção Primária, Tatiane Alves, aponta que o maior desafio vencido é garantir que o atendimento qualificado chegue a todas as mulheres, independentemente de onde vivam no estado.
