Desigualdade em saúde amplia distância entre ricos e pobres no país
Publicada em 26/10/2026, às 21:00

A desigualdade em saúde está criando um abismo na expectativa de vida da população. Um estudo recente realizado pelo projeto Sightlines, do Centro de Longevidade da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, revelou um cenário aparentemente contraditório: a sociedade está, ao mesmo tempo, mais saudável e menos saudável.
Na média geral, os indicadores populacionais pouco mudaram desde 2007. Contudo, essa aparente estabilidade esconde uma forte polarização dos hábitos de vida.
Dois grupos em direções opostas
Segundo os pesquisadores, a fatia de pessoas que mantêm múltiplos hábitos saudáveis — como alimentação rica em frutas e vegetais, rotina de exercícios físicos e noites adequadas de sono — subiu de 33% para 44% nas últimas duas décadas.
Por outro lado, o grupo de risco também cresceu na mesma proporção, passando de 39% para 44%. Esse conjunto reúne comportamentos nocivos como sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e alimentação baseada em produtos ultraprocessados.
Idosos e renda definem o abismo
Os adultos com mais de 65 anos e o nível socioeconômico são os fatores que mais impulsionam essa disparidade:
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Disparidade entre idosos: Entre a população idosa, a parcela que adota escolhas saudáveis subiu para 36,6%, mas o grupo de alto risco saltou de 15,9% para 24,8%.
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O peso do dinheiro: As taxas de tabagismo caíram drasticamente entre os mais ricos, enquanto permaneceram estáveis ou subiram nas faixas vulneráveis. O mesmo padrão se repete nos índices de sobrepeso e obesidade.
No início do estudo, em 2007, os hábitos de risco eram semelhantes em quase todas as classes sociais. No entanto, as barreiras financeiras e a falta de acesso a recursos ampliaram a distância ao longo dos anos.
Desafios para a saúde pública no Brasil
Especialistas alertam que esse fenômeno tende a se repetir no Brasil. Enquanto a população de maior poder aquisitivo se engaja em preparar uma longevidade ativa, as classes populares enfrentam obstáculos estruturais que não dependem apenas da vontade individual.
Para evitar o agravamento desse abismo, analistas defendem que as políticas públicas precisam garantir de forma urgente o acesso a áreas seguras para a prática de exercícios, a oferta de alimentos frescos em regiões dominadas por ultraprocessados ("desertos de alimentos"), o aumento da cobertura vacinal e a criação de espaços de convivência comunitária para a terceira idade.
