Violência sexual contra crianças no Amazonas bate recorde e acende alerta vermelho
Publicada em 26 de maio, 2026.
Atualizada em 12 de setembro, às 14:00.

Proteger quem ainda está crescendo é o dever mais básico de qualquer comunidade. No Amazonas, um levantamento inédito mostra que a busca por essa proteção está revelando um cenário alarmante, mas que finalmente começa a sair da invisibilidade.
É como descobrir uma infiltração na parede de casa: o estrago não surgiu de uma hora para outra, a diferença é que agora as pessoas começaram a olhar de perto para os canos.
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP) registrou uma alta expressiva nas notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes no estado. O total saltou de 1.585 casos em 2021 para 3.164 registros em 2025 — o maior número de toda a série histórica analisada. Isso significa uma taxa de prevalência de 208,6 casos para cada 100 mil habitantes na faixa de 0 a 19 anos.
Segundo a diretora-presidente da instituição, Tatyana Amorim, esse aumento mostra que os profissionais de saúde e de assistência social estão mais capacitados para identificar e acolher as vítimas. Ou seja, o sistema de saúde começou a enxergar as rachaduras ocultas na parede.
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DVE) organizou o estudo com base nas informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) (o banco de dados do Ministério da Saúde que registra ocorrências e doenças de notificação compulsória).
O perfil da vulnerabilidade
O levantamento desenha o perfil detalhado das vítimas que mais precisam de atenção no estado:
- Perfil das vítimas: Meninas concentram 93,1% das notificações, especialmente na faixa etária de 10 a 14 anos, que soma 57,9% dos casos.
- Recorte social: Crianças e adolescentes pardos correspondem a 79,8% dos registros.
- Principal tipificação: O estupro de vulnerável (violência sexual contra menores de 14 anos ou pessoas incapazes de consentir) representa 55,6% das notificações.
- Local do crime: A própria residência abriga 78,4% dos casos de violência, e mais da metade dos registros aponta que a agressão ocorre de forma recorrente.
O que muda na prática
Esses dados funcionam como um mapa para guiar o atendimento na rede pública de saúde e direcionar as ações dos governos locais. O diretor de vigilância epidemiológica, Alexsandro Melo, explica que as informações ajudam a identificar os territórios mais vulneráveis e planejar respostas mais rápidas.
Em números absolutos, as cidades de Manaus, Tefé, Parintins e Manacapuru lideram os registros. Já na análise proporcional ao número de habitantes, a maior urgência de atuação aparece em Tonantins, Tefé, Presidente Figueiredo e Coari.
Na prática, o acolhimento também ganhou agilidade: o Conselho Tutelar (órgão responsável por zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente) recebeu 72,8% dos encaminhamentos feitos pela rede de saúde.
A coordenadora estadual do programa de vigilância de violências, Cassandra Torres, aponta que proteger esses jovens exige uma articulação contínua entre escolas, hospitais e assistência social.
E daí para você? Ficar atento a sinais de mudança de comportamento de jovens conhecidos e denunciar qualquer suspeita é o primeiro passo para ajudar a fechar essa torneira de vez.
