Febre amarela: capacitação por videoconferência para diagnóstico precoce em alerta
Publicada em 25 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Se o tempo é o que decide o desfecho, a febre amarela entra no modo “conta-gotas”: quando surgem suspeitas, a resposta precisa ser rápida. Por isso, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros) vai reunir profissionais em videoconferência para organizar a condução clínica e a vigilância diante do que aparece primeiro na região.
O encontro acontece na quarta-feira, 27/5, a partir das 15 horas, com transmissão ao vivo pelo Google Meet.
A mobilização ganhou força neste ano por causa de epizootias de macacos com vírus da febre amarela em Buritizeiro, Pirapora e Urucuia. Epizootia é o nome usado para o adoecimento ou a morte de animais em curto período e na mesma região.
Na prática, pense como um “sinal de fumaça” saindo antes do fogo: os animais tendem a adoecer antes das pessoas. Ou seja, quando os registros começam entre macacos, os serviços de saúde precisam estar prontos para agir com organização.
A capacitação é voltada para quem está na linha de frente do cuidado hospitalar e da atenção primária, porque o diagnóstico (identificação da doença) tem que ser viabilizado cedo. A enfermeira Debora Danielly Dias Ribeiro, apoiadora do Cievs Regional de Montes Claros (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde), aponta a necessidade de lidar com uma doença de alta taxa de letalidade.
O que acontece na videoconferência
O treinamento será conduzido pelos médicos Izabela Bretas Santos e Mariano Fagundes Neto, que integram a equipe do Cievs. A programação inclui cuidados voltados a pacientes internados com suspeita de febre amarela, manejo integrado com terapia intensiva e cuidados de enfermaria, identificação precoce e estratificação de gravidade, além do suporte clínico e manejo de complicações.
Já o médico Samir Prates, dos hospitais Universitário Clemente de Faria e Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira, vai analisar a situação epidemiológica da febre amarela nos últimos anos no país e em Minas Gerais.
Além do recorte das epizootias, a coordenadora de vigilância em saúde na SRS e no Cievs, Agna Soares da Silva Menezes, ressalta que, neste ano, também foram coletadas amostras de vísceras de macacos encontrados mortos em Coração de Jesus, São João da Lagoa, Glaucilândia, Espinosa, Mamonas, São João do Pacuí e Montes Claros. O recado é intensificar a vigilância envolvendo atenção primária, hospitalar e serviços de controle de endemias.
O que muda na prática
A SES-MG emitiu, no dia 6 de maio, um alerta epidemiológico sobre epizootias com detecção do vírus da febre amarela em nove municípios: Arinos, Buritis, Formoso, Riachinho, Unaí, Uruana de Minas, Urucuia, Pirapora e Buritizeiro.
- Prioridade: intensificar vigilância, prevenção e controle nas áreas apontadas
- Vigilância oportuna: reforçar busca por novas epizootias e caso suspeito em pessoas
- Notificação rápida: comunicar caso suspeito em até 24 horas
- Cobertura vacinal: ampliar a vacinação contra febre amarela
O ponto-chave é que o registro precisa andar junto com a detecção: a orientação é fazer busca ativa de macacos doentes ou mortos e registrar imediatamente, em até 24 horas, no SISS-Geo e no Sinan, além de coletar amostras para diagnóstico laboratorial.
E daí pra mim, que estou lendo isso hoje? Na prática, a capacitação serve para que, quando o sinal aparecer, a equipe reconheça mais cedo e responda de forma organizada no lugar onde a suspeita surge.
