IPCS: HCB acelera respostas com vigilância integrada no Hospital da Criança
Publicada em 26 de maio, 2026.
Atualizada em 20 de julho, às 18:00.

Quando uma criança está internada, o relógio é curto: aparecendo risco de infecção ligada à assistência, a equipe precisa enxergar cedo e agir junto, sem esperar “cair na fila”. Foi com esse objetivo que o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) reorganizou o monitoramento das infecções ligadas à assistência à saúde (Iras), integrando o time de enfermagem ao acompanhamento do controle dessas infecções.
O HCB acompanha as Iras a partir de três grupos: infecções primárias da corrente sanguínea (IPCS), pneumonia associada à ventilação e infecções do trato urinário. Entre eles, a IPCS é a mais frequente no hospital, por causa do perfil de pacientes imunossuprimidos, com vários tipos de cateter e acessos venosos mais complexos.
Pensa como um esquema de revezamento em partida: se cada pessoa ficar com uma parte isolada, o time perde ritmo nos pontos críticos. Quando a vigilância ganha mais “olhos” simultâneos, os sinais aparecem antes e o caminho de ação fica mais organizado. No HCB, as equipes fazem visitas periódicas de verificação e coletam bundles.
Bundle é um conjunto de informações usado para padronizar condutas e acompanhar o controle de infecção. Antes, a análise dos bundles ficava mais concentrada no Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH). Agora, as visitas voltadas à checagem de cateteres contam com participação das equipes do SCIH e da enfermagem.
O infectologista Bruno Lima aponta o ganho do processo: as equipes orientaram enfermeiros sobre como analisar os cateteres e quais informações coletar com pacientes e acompanhantes. A enfermeira Lorena Borges resume a meta como resposta mais rápida a sinais precoces, para evitar que a infecção se instale.
Para tirar da rota a dependência de memória, o registro passou a ser feito com apoio de ferramenta. O HCB adotou um sistema de registro das visitas e de histórico por paciente na plataforma RedCap. Segundo Bruno Lima, a plataforma permite rastrear os bundles nominalmente e, se houver infecção, consultar informações relacionadas ao manejo do quadro de forma retroativa.
O que muda na prática
- Mais integração nas visitas: SCIH e enfermagem atuam juntos na checagem de cateter
- Menos atraso na identificação: busca por sinais precoces fica mais rápida
- Registro rastreável: histórico por paciente na plataforma RedCap para consulta retroativa dos bundles
- Conformidade alta: taxa de 96% após implementação completa
O novo processo começou em 2025 como projeto-piloto e chegou à internação em janeiro deste ano. Durante as fases, a conformidade seguiu em 96%, e a expectativa é que, ao final do primeiro semestre, os dados consolidados confirmem o que já vem sendo observado. Ou seja: no cuidado ligado a cateter, a coordenação ficou mais compartilhada e o tempo de resposta tende a encurtar, com monitoramento mais consistente.
