Política & Gestão

Violência contra a mulher: como estudantes vivenciaram o SUS na Amazônia

A imersão prática prepara o novo SUS da região Norte para identificar agressões e acolher vítimas de forma humanizada.

Publicada em 27 de maio, 2026.

Atualizada em 6 de setembro, às 06:01.

Violência contra a mulher: como estudantes vivenciaram o SUS na Amazônia
A vivência proporcionou encontros, escuta e troca de experiências entre estudantes e profissionais

Entender a engrenagem da saúde pública por trás de uma mesa de escritório é como tentar pilotar um barco no Rio Madeira apenas lendo o manual de instruções. Para saber desviar das correntes e dos bancos de areia, o piloto precisa colocar a mão no leme e sentir a força da água na prática.

Entre os dias 18 e 24 de maio, um grupo de estudantes e profissionais de saúde trocou o conforto das salas de aula pela realidade das comunidades de Rondônia. O projeto Vivência do Madeira reuniu participantes de Rondônia e do Amazonas para entender de perto os desafios do atendimento a mulheres vítimas de agressões e o funcionamento da rede pública de acolhimento.

A iniciativa faz parte do VER-SUS Brasil (Programa Nacional de Vivências no Sistema Único de Saúde), coordenado pela Associação Rede Unida com o apoio da Sesau (Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia). Durante uma semana, os integrantes deixaram a teoria de lado para acompanhar o dia a dia de serviços essenciais, como o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), além de dialogar com profissionais de segurança pública, justiça e movimentos sociais.

O ponto alto dessa jornada na água aconteceu na comunidade ribeirinha de São Carlos. No local, os viventes orientaram os moradores sobre saúde sexual, distribuíram preservativos e ofertaram testes rápidos para HIV (exames de autotestagem).

O que muda na prática

Para quem vive em regiões isoladas, a chegada desse grupo leva informação direta para dentro de casa, combatendo a violência sexual e facilitando o acesso ao diagnóstico de infecções. O morador Vârno da Silva, de 76 anos, recebeu os estudantes em sua residência e destacou a importância de aprender sobre respeito e prevenção no próprio quintal.

Na outra ponta, a imersão transforma o olhar de quem vai atuar nos hospitais e postos. É o caso de Antônio Lauro, estudante de medicina da Unir (Universidade Federal de Rondônia). Nascido em Lábrea, no Amazonas, ele vivenciou as dificuldades enfrentadas pela população ribeirinha e planeja voltar para atuar como médico da própria comunidade.

  • Iniciativa: Vivência do Madeira (ação do VER-SUS Brasil)
  • Período: 18 a 24 de maio
  • Estados envolvidos: Rondônia e Amazonas
  • Foco principal: Enfrentamento à violência contra a mulher e acolhimento no SUS

De acordo com a coordenadora do projeto, Patrícia Queiroz, a vivência promoveu sensibilidade e construção coletiva. Para o secretário de saúde de Rondônia, Edilton Oliveira, e o governador Marcos Rocha, o trabalho intersetorial (que integra diferentes setores do governo) fortalece a rede pública. Afinal, para melhorar o atendimento de quem mais precisa, é preciso primeiro aprender a navegar na realidade deles.

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