Esporotricose em Sergipe: Lacen aponta aumento e acelera diagnóstico
Publicada em 26 de junho, 2026.
Atualizada em 13 de julho, às 14:00.
Se você convive com cães e gatos, o alerta em Sergipe liga um ponto importante do dia a dia: quanto antes a suspeita de esporotricose virar diagnóstico, mais cedo dá para agir. O Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe (Lacen), ligado à Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), informou aumento na taxa de positividade das amostras analisadas.
Na prática, o acompanhamento do Lacen vem ganhando volume. Desde 2023, foram feitos 96 exames laboratoriais em humanos, com 57 resultados positivos. Já entre 2024 e 2026, foram registrados 53 casos positivos, o que reforça a importância da vigilância e da ampliação do acesso ao diagnóstico laboratorial.
Pensa como a “receita de pão”: se a farinha vai ficando mais úmida e a massa cresce, você observa cedo para ajustar o processo antes de dar errado. No caso da esporotricose, a vigilância funciona assim: detectar mais cedo o que está circulando ajuda a organizar a resposta em saúde.
O que o Lacen faz (e por onde as amostras chegam)
O Lacen é a referência para exames laboratoriais no estado. Ele recebe material de 75 municípios sergipanos quando há suspeita clínica.
Segundo o superintendente do Lacen, Cliomar Alves, o fluxo começa nas unidades de saúde dos municípios: elas fazem a coleta e enviam a amostra ao laboratório. A lógica é clara: quanto mais diagnósticos, maior o alcance da vigilância epidemiológica (o monitoramento de doenças ao longo do tempo e do território) e laboratorial (o que o exame confirma).
- Público-alvo: pessoas com suspeita clínica atendidas nas unidades dos 75 municípios
- O que muda com diagnóstico: resposta mais rápida para medidas de saúde pública e tratamento correto
- Papel do Lacen: referência para exames laboratoriais e monitoramento no estado
- Base da vigilância: aumento da positividade observado nas amostras analisadas
Por que o diagnóstico precoce pesa
A esporotricose é uma doença infectocontagiosa que pode atingir humanos e animais, como cães e gatos. O fungo costuma viver no solo, em palhas, vegetais e madeiras, e chega até as pessoas por materiais contaminados, como farpas e espinhos. Em animais, a transmissão ocorre especialmente por arranhões, mordidas e contato direto com pele lesionada.
Em humanos, os sinais começam com um pequeno caroço vermelho que pode virar ferida. Em geral, aparecem nos braços, pernas ou rosto, com lesões em formato de fileira de nódulos e feridas, afetando pele e vasos linfáticos próximos. A avaliação precoce é apontada como essencial para evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão.
E tem um ponto que muita gente ignora: a vigilância também passa pelos animais. Desde 2022, o Lacen realizou 446 exames em animais, com 250 resultados positivos. Aracaju concentra 148 registros; Barra dos Coqueiros tem 36 e Nossa Senhora do Socorro, 35.
Ou seja: para o paciente e para a rede pública, a consequência é simples e prática. Exame chegando mais rápido, mais gente confirmando suspeita e menos espaço para a transmissão continuar.
Atenção também à rede de municípios
O Lacen promove capacitações contínuas para profissionais municipais, orientando coleta, acondicionamento e envio das amostras. Assim, a rede de vigilância laboratorial ganha força em Sergipe.
E daí pra mim? Se você ou alguém próximo tem contato frequente com animais e nota lesão de pele que parece “começar pequena e virar ferida”, o caminho é agir cedo e levar a suspeita até a unidade de saúde para que a amostra chegue ao Lacen. Isso encurta o tempo entre dúvida e resposta.

