Doação de órgãos no Paraná: taxa alta e recusa menor puxam transplantes
Publicada em 27 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Doação de órgãos pode soar longe, mas no Paraná os números mostram que isso chega como cuidado de verdade para quem está esperando. E não é só promessa: é dado do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), com recortes de 2025 organizados e divulgados pela ABTO.
Pensa no tema como um semáforo funcionando bem. Quando a sequência faz sentido e o tempo de cada etapa está coordenado, o fluxo não travar e as pessoas conseguem seguir na direção certa. No Paraná, o que sustenta esse “semáforo” é desempenho em doação e em transplantes.
O estado aparece com taxa de doadores de 38,9 pmp (por milhão de população), o segundo melhor do País. Enquanto isso, a média nacional fica em 20,3 pmp. Na parte que costuma pesar mais para as famílias, o Paraná registra recusa familiar de 33%, abaixo da média nacional de 45%.
Em volume, o RBT aponta que, em 2025, foram feitos no Paraná 2.255 transplantes entre órgãos e tecidos. Foram 460 de rim, 293 de fígado, 31 de coração, 1.066 de córnea e 405 de medula.
Na fala da Secretaria de Estado da Saúde, o secretário César Neves liga esse resultado à capacitação profissional e à manutenção de uma estrutura de atendimento “robusta e consolidada” para apoiar doadores e receptores com mais qualidade e agilidade.
O que muda na prática
O começo de 2026 também acompanha essa direção. De acordo com o Sistema Estadual de Transplantes (SET/PR), de janeiro a abril, houve 225 transplantes de órgãos sólidos (como coração, fígado, rim e pâncreas) e 328 transplantes de córneas.
A rede descrita pelo SET/PR inclui hospitais, OPOs (Organizações de Procura de Órgãos), equipes transplantadoras, laboratórios e bancos de tecidos. Ou seja: cada etapa é uma peça, e o resultado depende de continuidade entre elas.
- Taxa de doadores: 38,9 pmp no Paraná (média nacional 20,3 pmp)
- Recusa familiar: 33% no estado (média nacional 45%)
- Volume em 2025: 2.255 transplantes entre órgãos e tecidos
- SET/PR no início de 2026: 225 órgãos sólidos e 328 córneas entre janeiro e abril
E daí pra mim? Para quem está na fila, e também para quem vive a decisão dentro de casa, esses números apontam que existe estrutura para aproveitar o “momento certo” do transplante. O caso de Isabela Antônia Silva de Paula ajuda a dar rosto ao processo: aos oito meses de vida, ela entrou na fila em 16 de janeiro de 2026 e recebeu chamada em 16 de abril, após compatibilidade para transplante cardíaco. A mãe, Karolyne Antônia Silva de Paula, diz que ver a filha bem e brincando mudou a forma como a família passou a enxergar a doação.
