Bem-Estar

Semaglutida no SUS: projeto-piloto começa em hospital federal de Porto Alegre

Ao longo de dois anos, 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a comorbidades serão acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC). O estudo avaliará a efetividade, a segurança e o custo do tratamento no âmbito do SUS

Publicada em 26 de junho, 2026.

Atualizada em 10 de julho, às 14:00.

Semaglutida no SUS: projeto-piloto começa em hospital federal de Porto Alegre
Ministério da SaúdeMinistério da Saúde

Quem está tentando controlar o peso no dia a dia sabe que obesidade não é “só dieta”: é doença com impacto real na vida e na saúde. Na prática, o Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (26) o início do uso da semaglutida, um princípio ativo de medicamentos do grupo das canetas usadas para emagrecer, em pacientes do SUS atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no Rio Grande do Sul.

Durante a cerimônia, um paciente recebeu a primeira aplicação do medicamento, marcando o início da oferta dessa terapia em hospital federal. O projeto-piloto vai avaliar o tratamento no SUS com foco em três pontos: efetividade, impacto clínico e custo do uso de medicamentos à base de GLP-1 (GLP-1 é uma classe de medicamentos relacionada à regulação de apetite e controle metabólico) no tratamento da obesidade.

Pensa na semaglutida como uma “trava de segurança” que é testada antes de virar rotina ampla. Não é porque a ferramenta existe que ela entra automaticamente na garagem de todo mundo. Aqui, a ideia é verificar como ela funciona na vida real do SUS: com regras claras de acompanhamento, indicadas para um grupo específico de pacientes.

O estudo, chamado Real- Bari, terá dois anos de acompanhamento. Serão avaliados indicadores como percentual de perda de peso, evolução da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições após períodos pós-operatórios e custos dos processos. O objetivo é gerar evidências para adaptar o tratamento à realidade do SUS e apoiar decisões assistenciais.

O que muda na prática

Para participar, os pacientes já precisam estar acompanhados pelo GHC e ter diagnóstico de obesidade estabelecido há pelo menos 12 meses. Também é necessário ter falha documentada no tratamento clínico convencional, incluindo dietas estruturadas e prática regular de atividade física por pelo menos dois meses.

Além disso, há um critério prático: o paciente precisa conseguir compreender e fazer a autoaplicação da medicação (ou ter um cuidador para fazer esse procedimento).

No total, o projeto-piloto prevê 250 pacientes do SUS com obesidade grave, ou obesidade associada a outras morbidades (como comprometimento cardíaco), além de indicação para cirurgia bariátrica. O texto traz ainda o perfil assistencial da unidade: 91% dos pacientes com obesidade têm a forma mórbida da doença, e 47% têm condições clínicas para cirurgia bariátrica. A comorbidade mais prevalente nesse grupo é hipertensão arterial.

E tem mais: o estudo será financiado com recursos transferidos ao hospital pela FAURGS (Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), provenientes de aporte financeiro da produtora do medicamento.

O ponto-chave é que essa etapa cria base para saber se e como a terapia funciona de forma segura e sustentável no SUS. E daí pra mim? Para o paciente e para o sistema, a promessa é clara: entender custo e resultados antes de expandir.

  • Público-alvo: 250 pacientes do SUS acompanhados pelo GHC com obesidade grave (ou associada a comorbidades) e indicação para cirurgia bariátrica
  • Duração: 2 anos de avaliação
  • O que será medido: perda de peso, qualidade de vida, exames clínicos, pós-operatório e custos
  • Financiamento do estudo: recursos via FAURGS, com aporte financeiro da produtora do medicamento
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