Política & Gestão

Parar de fumar: DF tem 77 locais de tratamento para abandonar o cigarro

Grupos de apoio utilizam de medicamentos a terapias psicológicas para aumentar as chances de sucesso dos pacientes em até 85%.

Publicada em 29 de maio, 2026.

Atualizada em 1 de setembro, às 08:01.

Parar de fumar: DF tem 77 locais de tratamento para abandonar o cigarro
Ao parar de fumar, Keila Maria impactou positivamente toda a família, como a filha Ana Luiza, que sofria com o cheiro de cigarro em casa. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Pagar mensalidade cara por um serviço que só entrega dor de cabeça é o retrato de quem tenta manter o hábito de fumar. O vício funciona exatamente como aquela assinatura de streaming tóxica: drena o bolso do usuário e estraga a saúde no dia a dia. Para ajudar a cancelar de vez esse contrato nocivo, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) oferece apoio em 77 locais de atendimento.

A diarista Keila Maria de Abreu, de 40 anos, decidiu cancelar essa assinatura há oito meses. Com o suporte da Unidade Básica de Saúde (UBS) 2 de Taguatinga, ela trocou o gasto diário com o fumo por um guarda-roupa novo e passeios semanais com a filha, Ana Luiza de Abreu, de 15 anos.

Na UBS 3 de São Sebastião, a publicitária Hélida Wonstein, também de 40 anos, iniciou o mesmo processo este mês. O objetivo dela é dar o exemplo para os filhos e eliminar os cigarros rotineiros, como aquele que acompanha o café.

Como funciona o tratamento

O suporte público atua diretamente nas frentes física e psicológica para facilitar o cancelamento desse plano indesejado. Equipes multiprofissionais combinam reposição de nicotina e controle da ansiedade com terapias em grupo.

A farmacêutica Cristiane Falcão, da UBS 2 de Taguatinga, explica que a abordagem é integral, envolvendo psicologia e serviço social. Na UBS 3 de São Sebastião, a farmacêutica Fernanda França utiliza ferramentas como a cápsula do tempo, na qual os pacientes guardam suas metas e avaliam a evolução após 30 dias.

O processo de desligamento varia para cada pessoa. O coordenador do Programa de Controle do Tabagismo no DF, Saulo Viana, aponta que a taxa de sucesso com o suporte estruturado varia de 15% a 85%, sendo a meta local alcançar ao menos 30% de êxito.

O que muda na prática

A recuperação da qualidade de vida afeta pacientes de todas as idades. O aposentado Antônio Eustáquio Russo, de 69 anos, decidiu parar de fumar após descobrir o início de um enfisema pulmonar (doença degenerativa crônica que destrói os tecidos dos pulmões). Ele fumou por 55 anos, desde os 13 de idade, e hoje celebra 12 meses longe do cigarro sem o uso de remédios, apenas trocando experiências no grupo.

Do outro lado, o estudante de Educação Física Mateus Mota, de 20 anos, busca o mesmo objetivo após iniciar o vício aos 17 anos com o cigarro eletrônico.

Abaixo, os detalhes do serviço oferecido:

  • Locais de atendimento: 77 grupos de tratamento distribuídos por unidades de saúde do DF.
  • Métodos utilizados: Reposição de nicotina, medicamentos para ansiedade, dinâmicas de grupo e apoio psicológico e social.
  • Taxa de sucesso: Variação de 15% a 85% de eficácia com o suporte estruturado.
  • Público-alvo: Fumantes de todas as idades e classes sociais que buscam parar de fumar.

Ao final, cancelar o vício é como finalmente desativar aquela assinatura inútil que só tirava dinheiro da sua conta: seu bolso agradece e seu dia a dia ganha um fôlego totalmente novo.

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