Queimaduras no São João: Huse registra 44 atendimentos e alerta sobre fogos
Publicada em 25 de junho, 2026.
Atualizada em 15 de julho, às 02:00.
Quando a festa acende, o risco também aparece. No Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), a Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) viu 44 pacientes serem atendidos por queimaduras em um intervalo de pouco menos de um mês, com acidentes ligados aos festejos juninos puxando parte desse volume.
Na prática, os dados levantados pela unidade mostram que, entre 31 de maio e 24 de junho, foram registrados atendimentos por queimaduras provocadas por diferentes causas, como fogo, líquidos superaquecidos, substâncias químicas e acidentes domésticos. Do total, 26 casos tiveram relação direta com fogos de artifício, incluindo situações com espadas, bombas, busca-pé, pólvora e até bacamarte.
O alerta fica ainda mais forte no pico do São João. Nos dias 23 e 24 de junho, a unidade contabilizou 13 atendimentos por queimaduras, e 11 deles estavam ligados ao uso de fogos de artifício. Nesse mesmo recorte, 12 pacientes precisaram de internação na UTQ do Huse, setor especializado no tratamento de casos mais graves. Desses internados, quatro tiveram consequência direta de acidentes com fogos.
Se dá para imaginar esse cenário, pense em uma festa de fogos como uma panela no fogo: basta um segundo para o que era controle virar acidente. E o que a equipe ressalta é que a queimadura costuma ser só o começo.
O que a equipe do Huse reforça
A gerente da UTQ, Wandressa Nascimento, explica que muitos casos poderiam ser evitados com prevenção simples e destaca o impacto além da lesão imediata. Segundo ela, os acidentes acontecem em poucos segundos e podem gerar sequelas permanentes, inclusive impactos psicológicos. Ela também chama atenção para situações em que a pessoa perde parte dos dedos ou até a mão, lesões mais graves que mudam a rotina e podem afetar o retorno ao trabalho.
Outro ponto central é o cuidado com crianças. A orientação é que menores não manuseiem fogos de artifício e fiquem sob supervisão de um adulto, mesmo quando o artefato é considerado de baixo risco. A recomendação é não entregar qualquer tipo de artefato para uma criança, já que uma faísca pode atingir a roupa e causar queimadura rapidamente.
A unidade também registra aumento de casos dentro de casa durante o preparo das comidas típicas, com maior frequência de queimaduras causadas por líquidos ferventes e panelas com grandes quantidades.
- Público em risco: pessoas expostas a fogos e crianças sem supervisão
- Principal causa no período: fogos de artifício (com 26 casos entre 31/5 e 24/6)
- Pico do São João: 13 atendimentos nos dias 23 e 24/6, com 11 ligados a fogos
- Gravidade observada: 12 internações na UTQ no recorte, com quatro por acidentes com fogos
E se acontecer um acidente, a orientação da UTQ é clara: não usar receitas caseiras ou produtos improvisados. O ideal é lavar imediatamente com água corrente em temperatura ambiente por cerca de 15 a 20 minutos, cobrir com pano limpo e procurar atendimento médico o quanto antes.
No fundo, a pergunta que fica é simples: quando a festa começa, quem cuida do risco ao redor? Para o Huse, o recado é cuidar antes, porque depois costuma ser tarde demais para “consertar” o estrago.

