Violência sexual no Piauí: nova regra dispensa ida de vítimas ao IML
Publicada em 18 de junho, 2026.
Atualizada em 23 de agosto, às 02:00.

Imagine enfrentar a dor de um trauma grave e ainda ter que encarar aquela conhecida peregrinação de guichê em guichê para resolver a situação. Para quem sofre violência de gênero, o processo de registrar o crime e receber atendimento médico costumava ser exatamente essa maratona exaustiva. Uma nova regra no Piauí quer colocar um ponto final nessa jornada.
A Sesapi (Secretaria de Estado da Saúde do Piauí) aprovou a chamada Linha de Cuidado da Pessoa em Situação de Violência Sexual. A estratégia passou pela validação da CIB (Comissão Intergestores Bipartite, o colegiado que reúne os gestores de saúde municipais e estaduais) e muda a forma como o Estado acolhe quem precisa de apoio médico e legal.
O ponto-chave é o fim do deslocamento obrigatório até o IML (Instituto Médico Legal) para os exames periciais. Graças a uma parceria com a SSP-PI (Secretaria de Segurança Pública do Piauí), o médico legista agora vai até o hospital onde a pessoa está recebendo socorro. É a estrutura pública se movendo até o cidadão, e não o contrário.
Segundo Alzenir Moura Fé, coordenadora de Saúde da Mulher da Sesapi, a medida foca em combater a revitimização (o sofrimento gerado por ter que recontar e reviver o trauma em vários órgãos diferentes). O percurso assistencial serve para qualquer idade ou gênero.
Os serviços especializados já funcionam em nove territórios de saúde do Piauí, com estruturas prontas para realizar os seguintes procedimentos:
- Municípios integrados: Teresina, Parnaíba, Campo Maior, Picos, Oeiras, Floriano, São Raimundo Nonato, Bom Jesus e Corrente
- Tratamentos de emergência: Profilaxia (medicação preventiva) para ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), HIV/Aids e hepatites virais
- Evitação de gravidez: Oferta de anticoncepção de emergência (método para evitar gestação após a violência)
- Suporte especializado: Realização de exames laboratoriais e acompanhamento biopsicossocial (cuidado que une saúde física, mental e reinserção social)
O que muda na prática
Na prática, quem passa por um momento de extrema vulnerabilidade ganha um porto seguro unificado. Em vez de peregrinar por delegacias e institutos médicos em meio à dor física e emocional, o paciente recebe atendimento de saúde, acolhimento psicológico e perícia criminal em um só lugar. O fluxo humanizado garante dignidade e agilidade, tratando a vítima com o respeito que a situação exige.
