Mortalidade materna no Tocantins: como hospitais planejam reduzir óbitos de gestantes
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 31 de agosto, às 16:01.
Garantir uma gestação tranquila e um parto seguro é o desejo de qualquer família, mas essa jornada exige uma rede de apoio profissional muito bem afinada.
Para afinar esses ponteiros, médicos e especialistas se reuniram na última quarta-feira, 27, em Augustinópolis, durante o I Fórum de Mortalidade Materna e Infantil.
O ponto-chave do evento foi debater soluções práticas para proteger a vida de grávidas e recém-nascidos na rede pública de saúde.
A lógica de prevenção discutida no encontro funciona como a revisão preventiva de um carro antes de pegar a estrada. Em vez de esperar o motor falhar no meio do caminho, os mecânicos testam os freios e trocam o óleo antes da partida. Na saúde das gestantes, a dinâmica é a mesma: os profissionais calibram o atendimento no pré-natal e na maternidade para evitar complicações graves.
Representantes do Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos (HMDR) participaram ativamente dos debates. O evento foi promovido pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus/Augustinópolis) e pela Prefeitura de Augustinópolis, em parceria com o Governo do Tocantins, Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO), Universidade Federal do Tocantins (UFT) e Universidade Estadual do Tocantins (Unitins).
Durante o fórum, a fisioterapeuta neonatal e pediátrica do HMDR, Kênia Nogueira, apresentou as diretrizes da Rede Alyne. O programa foca em um atendimento materno e neonatal seguro, humanizado e integrado aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que são metas globais da Organização das Nações Unidas). As práticas do hospital recebem o suporte técnico do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Ministério da Saúde.
Outro destaque foi a palestra da médica obstetra do HMDR, Dirce Naomi Okatani Tinen, integrante do Comitê de Prevenção ao Óbito Materno, Fetal e Infantil do Tocantins (CEPOMFI-TO). Ela detalhou o manejo (tratamento clínico adequado) da Doença Hipertensiva na Gestação (pressão alta durante a gravidez), uma das maiores causas de complicações para mães e bebês.
O que muda na prática
Na prática, a troca de experiências capacita os profissionais para identificar riscos de forma precoce em toda a rede de atenção. Quando a equipe de saúde domina o protocolo de controle de problemas como a pressão alta, as chances de evitar óbitos aumentam de forma significativa.
O debate reforça as seguintes frentes de atuação:
- Foco assistencial: Redução direta das mortes de grávidas e recém-nascidos no SUS.
- Protocolo prioritário: Diagnóstico precoce e manejo adequado da pressão alta na gestação.
- Integração de rede: Alinhamento técnico entre hospitais, gestões municipais e universidades do estado.
Garantir que essa engrenagem preventiva funcione perfeitamente é o melhor caminho para que mães e bebês completem a viagem da gravidez com total segurança.
