Minerais estratégicos: MCTI cria GT para virar tecnologia e indústria
Publicada em 13 de maio, 2026.
Atualizada em 14 de julho, às 10:00.

Se a bateria do celular e os painéis solares dependem de minerais, a pergunta que fica é: o Brasil vai só vender o recurso ou vai também transformar em tecnologia? É nessa virada que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) colocou a mão: nesta quarta-feira (13), em Brasília, foi lançado o Grupo de Trabalho de Inovação para o Setor Mineral (GT Soberania Tecnológica Nacional).
O grupo nasce a partir da Portaria MCTI nº 10.064, de 12 de maio de 2026, publicada no Diário Oficial da União (DOU), que define oficialmente as competências do GT.
Na prática, a missão é desenhar a proposta do Programa Inova+Mineral (Programa Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico, Extensionismo Tecnológico e Inovação para o Setor Mineral). O objetivo é organizar uma agenda nacional para fortalecer infraestrutura científica, formar profissionais especializados, estimular desenvolvimento tecnológico, ampliar a industrialização e aumentar o conteúdo nacional em cadeias minerais consideradas estratégicas.
O que muda na prática
Pensa assim: minério é como matéria-prima de uma cozinha. O Brasil até tem ingredientes. O ponto é transformar isso em prato: ciência e tecnologia viram “receita”, e a indústria vira “fogão” para entregar valor mais alto e sustentável.
O GT deve entregar a proposta à ministra Luciana Santos em até 90 dias, com possibilidade de prorrogação uma única vez por igual período.
O desenho do programa terá como referência a Política Mineral Brasileira, a Nova Indústria Brasil (NIB), o Plano de Transformação Ecológica, o Plano Clima, a Estratégia Nacional de Economia Circular e a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI). Entre as prioridades citadas na portaria estão transição energética, transformação ecológica, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável.
O grupo será coordenado pela Setec/MCTI (Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação) e terá participação do Cetem, da Finep, do CNPq, da Embrapii e do CGEE. A Secretaria-Executiva ficará a cargo do Departamento de Programas de Inovação do MCTI.
- Público-alvo: cadeias minerais estratégicas para o país
- Direção: ampliar presença do Brasil nas etapas de maior intensidade tecnológica
- Entregável: proposta do Programa Inova+Mineral à ministra Luciana Santos em até 90 dias
- Prioridades: transição energética, transformação ecológica, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável
Durante o lançamento, Luciana Santos destacou que a agenda ultrapassa a lógica de extração e envolve ciência, tecnologia e indústria, ligando soberania e desenvolvimento à capacidade de transformar riqueza mineral em conhecimento, inovação e sustentabilidade.
O secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, argumentou que os países que lideram tecnologias associadas a minerais críticos e estratégicos são os que conseguem dominar tecnologias, estruturar cadeias industriais e converter conhecimento em capacidade produtiva.
De onde vem a base para isso
O MCTI também aponta que o país já tem estrutura para sustentar esse movimento. Entre os dados citados estão 22 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia ligados à mineração, 58 unidades Embrapii com atuação em transformação mineral e mais de 96 arranjos produtivos locais de base mineral.
E no calendário recente, a Finep informa que, entre 2023 e 2025, contratou mais de 5,3 mil projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com volume superior a R$ 45 bilhões. Para a área mineral, a chamada Finep Mais Inovação Brasil — Transformação Mineral destina R$ 200 milhões em recursos não reembolsáveis para empresas desenvolverem soluções tecnológicas, incluindo minerais críticos, mineração urbana e reaproveitamento de resíduos, além de tecnologias sustentáveis e descarbonização da transformação mineral.
Ou seja: o GT é o passo de planejamento para transformar a discussão sobre minerais em programa, prazos e agenda de inovação. E daí pra mim? Se isso avançar, a tendência é que o esforço deixe de terminar na exportação de minério bruto e comece a chegar mais perto de tecnologia aplicada, processos industriais e soluções sustentáveis.
