Biossegurança e bioproteção: Fiocruz e Marinha debatem biodefesa
Publicada em 25 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Quando a ameaça é biológica, o que define a diferença costuma ser o preparo. Por isso a Fiocruz, em parceria com a Marinha do Brasil, promoveu o 1º Simpósio de Ciência, Tecnologia e Inovação em Bioproteção, Biossegurança e Biodefesa na Academia Brasileira de Ciências.
No encontro, pesquisadores, gestores, profissionais da saúde e representantes das áreas de defesa e segurança pública discutiram estratégias para enfrentar ameaças biológicas e proteger a saúde pública. Em um cenário global de emergências sanitárias, riscos biológicos em alta e desafios geopolíticos, o simpósio tratou de inovação tecnológica, integração entre instituições, monitoramento de ameaças biológicas e fortalecimento da soberania científica nacional.
Uma forma simples de entender o debate é pensar em biossegurança como o “freio” de um carro: ele não impede que a estrada exista, mas ajuda a controlar o risco enquanto se avança. Do mesmo jeito, as discussões do evento giraram em torno de práticas de segurança biológica e do uso de laboratórios para vigilância em saúde.
O que a Fiocruz colocou em pauta
Na mesa de abertura, a diretora do IOC/Fiocruz, Tânia Araujo-Jorge, destacou o simbolismo de o simpósio ocorrer durante o encerramento das comemorações dos 125 anos do Instituto Oswaldo Cruz e como parte dos últimos encontros científicos do Jubileu Secular de Prata da instituição.
Ela também lembrou marcos históricos ligados à área de biossegurança, como os 25 anos da Comissão Interna de Biossegurança do IOC e os 20 anos dos cursos de capacitação voltados à consolidação da cultura de biossegurança no país. A diretora citou ainda a estrutura de laboratórios de biocontenção (controle de risco biológico dentro dos laboratórios) mantida pelo IOC, que fortalece a atuação na vigilância epidemiológica por meio de centros colaboradores para a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Durante a programação, Wim Degrave, pesquisador do IOC e presidente da Comissão Técnica Nacional Biossegurança, apresentou a Política de Biossegurança e Bioproteção da Fiocruz, ressaltando a trajetória da instituição com práticas de segurança biológica e com laboratórios estratégicos para a vigilância em saúde.
Integração entre ciência, defesa e saúde
O simpósio também teve apresentações institucionais do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN). Entre os temas, houve painéis sobre estratégias de fomento à ciência e tecnologia e sobre a integração entre ciência, defesa, saúde e segurança pública, além de discussões sobre plataformas biotecnológicas voltadas à proteção contra ameaças biológicas.
Participaram representantes de Finep, Capes, Faperj, Fiocruz e Marinha do Brasil.
Para fechar as atividades, houve uma homenagem à pesquisadora Leila Macedo. Os organizadores esperam dar continuidade à iniciativa nos próximos anos, fortalecendo a cooperação entre instituições científicas, de saúde e defesa para o desenvolvimento de estratégias integradas de enfrentamento a riscos biológicos. Ou seja: é o tipo de conversa que, na prática, tenta deixar o país mais preparado antes do susto aparecer.
