Política & Gestão

Cigarro eletrônico vira alvo de apreensões após DF liderar ranking de consumo jovem

Ação de combate ao mercado ilegal tenta frear avanço do vício que afeta quase metade dos estudantes da capital federal.

Publicada em 28 de maio, 2026.

Atualizada em 4 de setembro, às 18:00.

Cigarro eletrônico vira alvo de apreensões após DF liderar ranking de consumo jovem
Apesar de parecerem muito diferentes dos cigarros tradicionais, os dispositivos eletrônicos também têm nicotina e causam dependência. Foto: Divulgação

A fumaça perfumada com cheiro de morango ou melancia que invade os banheiros das escolas esconde uma armadilha silenciosa. O cigarro eletrônico funciona como um clássico cavalo de Troia gourmet: por fora, parece um pirulito inofensivo e colorido; por dentro, entrega uma carga pesada de nicotina sintética (composto químico altamente viciante).

Para tentar frear esse avanço, a Vigilância Sanitária do Distrito Federal, vinculada à Secretaria de Saúde (SES-DF), intensificou o cerco contra a venda desses produtos, que é proibida no Brasil. Ao longo de 2026, as equipes realizaram mais de 8 mil vistorias em comércios, feiras, distribuidoras e eventos.

O pente-fino resultou na apreensão de 9,6 mil itens e na interdição de 78 estabelecimentos comerciais. Ao todo, os fiscais registraram 329 autos de infração (documento oficial que formaliza uma irregularidade) especificamente pela venda ilegal dos dispositivos. Para garantir o cumprimento das ações, os auditores contam com o apoio da Polícia Militar sempre que consideram necessário.

Esse cavalo de Troia já conquistou boa parte dos jovens. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do IBGE, 43% dos estudantes do DF entre 13 e 17 anos já experimentaram o vape. O DF lidera esse ranking nacional. Como o aparelho não deixa o cheiro característico do cigarro convencional, o consumo passa despercebido dentro de quartos e banheiros escolares.

O perigo real é ainda maior do que o do cigarro comum, alerta a pneumologista Nancilene Melo, da SES-DF. De acordo com a médica, as cores vivas e os sabores artificiais criam uma falsa sensação de segurança, mas mascaram o poder viciante da nicotina sintética.

O que muda na prática

O tratamento contra esse vício exige um esforço pesado da rede pública de saúde. Os dados de 2025 sobre jovens de 18 a 24 anos que participam de grupos terapêuticos de tabagismo revelam o tamanho do desafio:

  • Uso jovem: 18,9% dos homens e 16,2% das mulheres usavam cigarro eletrônico
  • Nível de vício: 43,2% dos pacientes têm dependência elevada e 24,3% registram nível muito elevado
  • Baixa adesão: apenas 10,8% participaram da quinta sessão do tratamento
  • Uso de remédios: 75,7% dos pacientes necessitaram de medicamentos para tentar largar a nicotina

No próximo domingo, dia 31 (Dia Mundial Sem Tabaco), a Organização Mundial de Saúde (OMS) reforça o alerta global contra o tabaco, que hoje responde pela morte de um em cada dez adultos no planeta.

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