Equidade na APS: qualificação com gerentes das USFs muda fluxos assistenciais
Publicada em 19 de junho, 2026.
Atualizada em 16 de julho, às 04:00.
Se a saúde na ponta precisa funcionar bem para todo mundo, a organização do dia a dia na Unidade de Saúde da Família (USF) faz diferença. Nesta sexta-feira (19), a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) qualificou os gerentes das USFs dos cinco Distritos Sanitários do Município, em um encontro na Policlínica Municipal de Jaguaribe.
A conversa foi sobre “Equidade de Gênero, Raça, Etnia e Organização dos Fluxos na Atenção Primária à Saúde (APS)”. Na prática, a ideia é tratar a APS como uma cozinha: se o tempero chega torto, o prato inteiro perde o ponto. Aqui, a “receita” é ajustar os fluxos assistenciais para que o acolhimento e o cuidado cheguem de forma mais justa a quem vive realidades diferentes no território.
Segundo o coordenador do Departamento de Saúde da População Negra, Elvis Costa, a qualificação reforça o compromisso da gestão municipal com serviços mais inclusivos e humanizados. “A qualificação permitiu que os gerentes identificassem desigualdades presentes nos fluxos assistenciais, discutissem propostas de melhoria e construíssem estratégias voltadas à promoção da equidade”, disse ele.
Durante o encontro, os participantes também iniciaram a elaboração de um plano de intervenção em cada unidade, para fortalecer o cuidado “mais justo, acolhedor e integral”.
O trabalho foi guiado por diretrizes de políticas nacionais de equidade em saúde voltadas a populações em situação de vulnerabilidade social, racial, étnica e de gênero. O foco esteve no papel da gestão da APS para promover a equidade e enfrentar desigualdades em saúde, além de estratégias para qualificar acolhimento, escuta e organização dos serviços conforme as especificidades de diferentes grupos.
A qualificação foi dividida em dois módulos. No primeiro, “Equidade e Integralidade na Gestão da APS”, a discussão foi sobre como as desigualdades sociais atravessam os processos de cuidado e gestão. No segundo, “Organização dos Fluxos Assistenciais com Foco na Equidade”, os gerentes analisaram os fluxos das unidades e construíram estratégias para reduzir desigualdades no acesso e fortalecer a continuidade do cuidado.
O que muda na prática
Pelo que foi debatido, a intenção é que cada USF saia com diretrizes mais claras para ajustar a rotina de atendimento. Uma gerente resumiu a importância do processo como algo que precisa ser repetido e atualizado. Veja os pontos que sustentam essa mudança:
- Público-alvo: gerentes das USFs dos cinco Distritos Sanitários
- Objetivo: incorporar princípios de equidade de gênero, raça e etnia na organização dos fluxos
- Ferramenta: elaboração de um plano de intervenção por unidade
- Foco do cuidado: ampliar acesso, acolhimento e integralidade, com escuta mais qualificada
Para a gerente da USF São Rafael (Distrito Sanitário V), Carolina Carvalho, espaços de educação permanente ajudam as equipes a olhar os determinantes sociais que impactam a saúde. Ela também destacou o apoio contínuo da gestão municipal e a necessidade de manter os temas sempre em debate.
No fim, os participantes apresentaram propostas para aprimorar os fluxos de atendimento, fortalecer o acesso humanizado e ampliar ações de promoção da equidade em saúde, com uma Atenção Primária mais resolutiva e alinhada ao que a população precisa.
E daí pra mim? Se a USF ajusta os fluxos para tratar as diferenças com justiça, a tendência é que o atendimento chegue com mais acolhimento e faça mais sentido no território onde a vida acontece.

