Política & Gestão

SRAG em alta: jovens, adultos e idosos voltam a ter mais casos

Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra aumento de Síndrome Respiratória Aguda Grave em diversas faixas etárias, impulsionado por vírus da gripe e sincicial. Saiba o que muda e quais cuidados tomar.

Fonte:

Publicada em 18 de junho, 2026.

Atualizada em 19 de junho, às 12:20.

SRAG em alta: jovens, adultos e idosos voltam a ter mais casos
Agência Fiocruz de NotíciasFiocruz

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) voltou a dar um susto em todo o país, especialmente entre jovens, adultos e idosos. O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (18/6), aponta que o número de casos está crescendo de novo nessas faixas etárias. Isso acontece porque mais gente está sendo hospitalizada por causa do vírus sincicial respiratório (VSR) nos pequenos e pelos vírus da influenza A e B nos mais velhos.

É como se a doença tivesse dado uma trégua para a criançada de até 4 anos, com uma desaceleração no aumento dos casos graves, e até diminuído entre os de 5 a 14 anos. Mas para a turma mais velha, o sinal de alerta voltou a acender.

A pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, lembra que a vacina da gripe é uma mão na roda contra a influenza A e B. Por isso, quem faz parte dos grupos de risco – como crianças, idosos e quem tem outras doenças (comorbidades) – precisa estar com a vacinação em dia. E para proteger os bebês do vírus sincicial, gestantes a partir da 28ª semana também devem se vacinar.

Com a Covid-19 dando uma leve aumentada em alguns lugares, Portella ainda reforça a importância de idosos e pessoas com o sistema imunológico fraco estarem com as doses de reforço da vacina contra a Covid-19 em dia. A recomendação é simples: usar máscara em locais fechados e cheios, se isolar se estiver gripado ou resfriado, ou, se não der para ficar em casa, usar uma máscara bem justa para não espalhar o vírus.

Onde o sinal está vermelho

No Brasil, 14 estados e o Distrito Federal já estão com a incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, e mostrando crescimento nas últimas semanas. São eles: Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

Outros 9 estados também estão em níveis de alerta ou risco, mas sem sinal de crescimento recente.

O vírus sincicial respiratório (VSR) segue em alta na maioria dos estados do Nordeste e Sul, além de alguns no Norte e Sudeste. Na Região Centro-Oeste, os casos de VSR estão altos, mas já mostram sinais de estabilização ou queda.

Nas capitais, 11 cidades estão com a atividade de SRAG em alerta ou risco e com tendência de crescimento: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Vitória (ES).

Mais 12 capitais estão em níveis de alerta ou risco, mas sem crescimento recente.

Em São Paulo, a queda nos casos de SRAG em crianças pequenas, ligada ao VSR, ajudou a diminuir o número geral na capital. No entanto, jovens, adultos e idosos continuam registrando mais hospitalizações, provavelmente por causa da influenza.

O que os vírus andam aprontando

Nas últimas quatro semanas, entre os casos positivos de SRAG, a maior parte foi de vírus sincicial respiratório (51,4%), seguido por influenza A (19,1%), rinovírus (23,9%), influenza B (7,1%) e Sars-CoV-2 (Covid-19) com 2,2%.

Entre os óbitos, a influenza A foi a principal causa (43,7%), seguida por rinovírus (20,4%), vírus sincicial respiratório (16,9%), influenza B (10,5%) e Covid-19 (7,2%).

No ano epidemiológico atual, já foram notificados 89.725 casos de SRAG. Desses, 49,6% tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório.

Quem se preocupa mais?

A incidência de SRAG é maior nas crianças pequenas, principalmente por causa do VSR. Já a mortalidade é mais alta entre os idosos, com a influenza A sendo a principal vilã.

No caso da influenza A, as crianças com menos de 2 anos são as mais afetadas em termos de incidência, enquanto os óbitos se concentram na população acima de 65 anos.

O Boletim InfoGripe é uma ferramenta do SUS para ficar de olho na SRAG em todo o país, ajudando a planejar ações e respostas para a saúde pública. É como um termômetro para sabermos onde o calor está mais forte e precisamos agir.

Covid-19Febre AmarelaGripeInfluenzaSaúde InfantilSUS
Banner

Mais notícias