Puerpério: UNFPA e parceiros debatem resguardo como direito e não folga

O período pós-parto, também conhecido como puerpério, está longe de ser um descanso. Na verdade, ele é um momento crucial de recuperação física e emocional para a mulher, e ignorar isso coloca vidas em risco. Essa foi a pauta principal de um webinar promovido pelo UNFPA Brasil no dia 28 de maio, data que marca o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna e o Dia Internacional da Dignidade Menstrual.
O evento, batizado de Resguardo não é folga, é recuperação, aconteceu em parceria com a Embaixada da França no Brasil e o projeto Poderosas da Amazônia. Especialistas em saúde materna, direitos sexuais e reprodutivos e saúde mental se reuniram para discutir o puerpério sob a ótica dos direitos das mulheres, desmistificando crenças e reforçando que esse período exige proteção, apoio e respeito à autonomia feminina.
Como um rio que precisa de margens seguras para correr, o puerpério precisa de um ambiente de cuidado para que a mulher se recupere. Anna Cunha, Oficial de Programa do UNFPA, destacou que esse período ainda é invisibilizado, romantizado e negligenciado. "Quando uma criança nasce, nasce também uma mulher em uma nova condição física, emocional, social e até mesmo econômica. E essa mulher precisa de cuidado", ressaltou.
Marilia Freire, psicóloga e Presidente do CEDIM e do Coletivo Humaniza Amazonas, levantou a questão de quem realmente garante esse cuidado. "Quem faz esse acompanhamento durante o resguardo de modo a de fato resguardar não só a saúde, mas também a vida?", questionou, enfatizando a necessidade de uma rede de apoio sólida para as puérperas e mecanismos que assegurem atendimento adequado.
Na área da saúde, a enfermeira obstetra Luciane Feira Gomes, Coordenadora do Apoio Regional do CONASEMS/COSEMS-RS, alertou para os riscos de depressão e ansiedade no pós-parto. "Quando há violência obstétrica, parto traumático, sobrecarga, abandono, falta de acolhimento, este risco mais do que dobra", afirmou.
A psicóloga e sanitarista Polyana Pinheiro, Analista Social da Defensoria Pública do Estado do Amazonas, abordou a hipervalorização moral da maternidade. Ela lembrou que a posição social da mulher historicamente esteve atrelada à sua função reprodutiva e defendeu a justiça reprodutiva, o direito de escolher ter ou não filhos sem pressão, romantização ou negligência nos cuidados pós-parto.
O debate também conectou planejamento familiar e saúde mental. Gestações não intencionais estão ligadas a maiores índices de depressão pós-parto. O acesso à informação, a métodos contraceptivos e ao acompanhamento em saúde sexual e reprodutiva antes, durante e após a gravidez é, portanto, uma questão de autonomia e proteção da vida.
Garantir que toda mulher possa planejar se, quando e quantas vezes quer gestar é fundamental para um puerpério mais seguro e uma maternidade vivida com dignidade.
O que atinge diretamente a mulher
- Saúde Mental: Aumento do risco de depressão e ansiedade em casos de violência obstétrica, parto traumático, sobrecarga ou falta de acolhimento.
- Direitos: Necessidade de um resguardo que seja visto como recuperação e não como folga, garantindo apoio e respeito à autonomia.
- Planejamento: Gestações não intencionais podem agravar quadros de saúde mental no pós-parto, reforçando a importância do acesso a métodos contraceptivos e acompanhamento.
O webinar completo está disponível no canal do UNFPA no Brasil no YouTube.
