Segurança alimentar: Mapa acelera acordos agrícolas com África e ganha escritório
Publicada em 27 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Quem faz a conta do mês sabe: comida segura é prioridade, do mercado à merenda. É nessa linha que o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) reforça a cooperação agrícola com países africanos, combinando troca de conhecimento e ritmo maior na execução.
Desde 2023, o Mapa firmou ao menos 18 instrumentos bilaterais com países africanos pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais. O alvo é segurança alimentar e desenvolvimento rural, com foco em soluções construídas junto, e não em “receita pronta”.
Pensa como trocar a receita do pão para caber no forno da sua cozinha. O trigo, a água e o tempo são os mesmos ingredientes do dia a dia, mas a massa reage diferente conforme o equipamento e o clima. A lógica do Mapa é essa: adaptar conhecimentos brasileiros a clima, solo e estrutura produtiva de cada lugar, para enfrentar desafios parecidos.
Na parte do comércio, a cooperação também ganha tração. Em 2025, os países africanos importaram mais de US$ 12,1 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. Carnes, cereais e açúcar aparecem como destaque. O resultado representa crescimento de 30% sobre 2022, quando as compras somaram US$ 9,3 bilhões.
Essa agenda faz parte da cooperação Sul-Sul, um modelo em que países em desenvolvimento trocam tecnologias e experiências para ajustar práticas à realidade local. Ou seja, o ponto-chave é construir junto, respeitando diferenças de capacidade institucional e condições produtivas.
Entre os temas citados, entram produção em clima tropical, correção de solos (ajuste para melhorar a aptidão do terreno), manejo de pastagens, assistência técnica, agricultura familiar, crédito rural e estruturação de sistemas de defesa agropecuária.
Duas iniciativas ajudam a mostrar o caminho. O Mais Alimentos África foi retomado em 2023 em Moçambique e Angola, inspirado na experiência brasileira com apoio a pequenos produtores, combinando crédito, tecnologia e assistência técnica. Já o Projeto Cerrado Africano busca adaptar conhecimento para regiões de savana, com técnicas como correção de solos ácidos, manejo de pastagens tropicais e organização produtiva.
Em fevereiro de 2026, a cooperação passa a ter estrutura permanente com a inauguração do Escritório de Cooperação Técnica para a África. A coordenação é da Embrapa e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em parceria com os ministérios da Agricultura do Brasil e da Etiópia. A proposta é acompanhar os projetos de forma contínua, reduzindo a dependência de missões temporárias.
O que muda na prática
- Agilidade: acompanhamento contínuo dos projetos, com menos dependência de missões temporárias
- Foco em produção de alimentos: integração da cooperação com segurança alimentar e desenvolvimento rural
- Mais conexão técnica: equipes mais próximas das demandas locais para adaptar as soluções
- Abertura para novos temas: espaço para áreas como agricultura digital, recuperação de áreas degradadas e assistência técnica
O avanço aparece também em debates como o II Diálogo Brasil-África, em 2025, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, com discussões sobre cooperação agropecuária, transferência de tecnologias, pesquisa, inovação, financiamento e ações conjuntas para combater a fome.
E o que o Mapa reconhece como obstáculo? Logística, diferenças climáticas, idiomas e a adaptação contínua das tecnologias ao contexto local. E daí pra mim? Se a ponte técnica e comercial segue firme, a segurança alimentar deixa de ser promessa distante e vira construção contínua.
