Aedes aegypti em Boa Vista: mutirão começa dia 23 no 13 de Setembro
Publicada em 21 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Se o mosquito acha cantinho úmido e esquecido, ele transforma casa em criadouro. Em Boa Vista, a Prefeitura coloca esse plano em prática a partir deste sábado, 23, com um mutirão para combater Aedes aegypti no bairro 13 de Setembro, um dos que teve mais infestação na cidade.
O trabalho acontece das 8h às 14h. As equipes são formadas por Agentes de Combate às Endemias (ACE) e Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Nos sábados seguintes, a estratégia segue para outros bairros.
O empurrão para agir cedo veio do primeiro LIRAa (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti) do ano. O levantamento mostrou 6,9% de índice de infestação, classificado como alto risco pelo IIP (Índice de Infestação Predial), para transmissão de dengue, zika e chikungunya.
Na prática, o ponto-chave é onde o mosquito escolhe colocar ovos. O diretor da Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses (UVCZ), Samuel Garça, reforça que a atenção precisa mirar os recipientes do dia a dia dentro das residências, principalmente os quintais.
Pensa na casa como uma “caixa de ferramentas”: se uma peça fica úmida e parada sempre no mesmo lugar, com o tempo ela estraga. O Aedes funciona parecido, só que no microdetalhe: ele aproveita a borda dos recipientes para colocar ovos. Ou seja, não basta só mexer na água.
Onde o levantamento aponta mais risco de foco: depósitos móveis dentro das casas, como pingadeiras de central de ar, vasos de plantas e recipientes usados para água de animais de estimação.
“O mosquito não coloca os ovos diretamente na água, e sim na borda de todos esses recipientes. Então não adianta só trocar a água”, disse Samuel. A orientação é lavar com bucha ou escova, esfregando bem as laterais para eliminar os ovos.
Também entram na lista locais como fossas abertas ou danificadas, que podem virar área de reprodução. A recomendação é fechar corretamente e fazer reparos quando houver suspiro aberto, tampa quebrada ou rachaduras.
O que muda na prática
Além do trabalho dos ACEs, a ação depende de acesso. O ACE Luander Barros relatou dificuldade para entrar nas residências: quando o morador está fora do horário ou recusa a visita, a avaliação não acontece.
Em visita no bairro Jóquei Clube, o morador Daniel Garrido recebeu a equipe e contou que mantém o espaço limpo, sobretudo quando chove, por haver criança na casa.
- Risco monitorado: 6,9% no LIRAa, com alto risco para dengue, zika e chikungunya
- Foco do trabalho: ACE e ACS para eliminar criadouros em quintais e recipientes
- Ovos não ficam só na água: lavar e esfregar a borda dos recipientes
- Acesso faz diferença: recusa em abrir a porta atrasa a ação
O cronograma é 23/05 no 13 de Setembro; depois 30/05 em Pedra Pintada e Said Salomão; 13/06 em São Vicente; e 20/06 em Araceli e Bela Vista. Nos dias 20 e 27/06 e 4/07, os ACEs voltam para recuperação de pendência em 14 bairros.
No fim, é como limpar antes de virar problema maior: quando você recebe o agente e ajuda a atacar os locais onde o Aedes realmente se instala, a chance de ele continuar no seu bairro cai.
