Febre do Oropouche em SP: Cajati confirma 2 casos autóctones
Publicada em 24 de maio, 2026.
Atualizada em 11 de julho, às 14:00.

Dois casos de febre do Oropouche acenderam o alerta em São Paulo. A história aqui é bem típica de como a doença ganha espaço: vira rotina de investigação quando aparece no território, mesmo sem viagem recente.
Os pacientes, residentes de uma área rural próxima a uma plantação de bananas, foram identificados em Cajati, na região do Vale do Ribeira. Eles apresentavam sintomas parecidos com os da dengue e não tinham histórico de deslocamento nos últimos 30 dias, caracterizando casos autóctones (quando a infecção ocorre no próprio local de residência, sem ligação com regiões onde há mais reincidência).
O atendimento aconteceu em uma das 71 Unidades Sentinelas do estado. Essas unidades fazem o monitoramento de arboviroses (doenças causadas por vírus transmitidos por insetos) e encaminham amostras para exames.
Na confirmação, o diagnóstico de febre do Oropouche saiu após resultado de RT-PCR (exame de biologia molecular que detecta material genético do vírus), feito pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL). Com isso, também houve descarte de zika, chikungunya e febre amarela, entre outras.
Os sintomas relatados pela SES-SP incluem fortes dores de cabeça, dores musculares, náusea e diarreia, além de sinais como tontura, dor atrás dos olhos e calafrios. Segundo o estado, os dois pacientes evoluíram para cura.
O ponto-chave agora é o que vem depois da confirmação. Com os casos, a SES-SP notificou o Ministério da Saúde e segue investigações entre o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) e a vigilância municipal, segundo a coordenadora Regiane de Paula, da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD).
O ponto é: prevenção não depende de sorte. É como manter a varanda “fechada” para evitar que o mosquito encontre caminho. Mesmo quando a pessoa não viaja, o controle do contato com o vetor continua sendo a peça central.
O que muda na prática
Por enquanto, a SES-SP reforça que não existe vacina para a febre do Oropouche. A forma mais eficaz de prevenção é o uso de repelentes e de medidas para reduzir picadas. Se surgirem sinais e sintomas, a orientação é procurar uma UBS (Unidade Básica de Saúde) para avaliação e início do tratamento de forma correta.
- Público-alvo: moradores de áreas onde foram identificados casos, como o entorno rural de Cajati
- Eficácia: repelentes e redução da exposição às picadas dos vetores
- Diagnóstico: RT-PCR no Instituto Adolfo Lutz após atendimento em unidades sentinelas
- O que fazer: procurar UBS ao apresentar sintomas
Os dados sobre o vírus também ajudam a entender o cenário: ele foi registrado pela primeira vez no país em 1960 e os casos tendem a ser mais frequentes nos estados da região Amazônica. No ciclo silvestre, além do inseto, animais como bichos-preguiça, aves silvestres e roedores podem atuar como hospedeiros.
A lista de prevenção divulgada pela SES-SP inclui: evitar áreas com maior reincidência, reduzir exposição a áreas com ocorrência, usar repelentes e roupas claras que cubram a maior parte do corpo, além de medidas como limpeza de terrenos e recolhimento de folhas e frutos que caem no solo, e uso de telas de malha fina em portas e janelas.
