Saúde mental no Piauí treina profissionais para acabar com atendimento estilo manicômio
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 29 de agosto, às 18:01.

Sabe quando você vai a um guichê de repartição pública e o atendente nem olha na sua cara, apenas carimba o papel e grita "próximo"? Na saúde mental, esse tipo de barreira invisível afasta quem mais precisa de ajuda. Para evitar que os serviços públicos funcionem no piloto automático, o teatro virou ferramenta de treinamento médico.
Na última sexta-feira, dia 29, profissionais que atuam na Rede de Atenção Psicossocial (o conjunto de serviços públicos de saúde mental) participaram da ação Práticas em Cena. O evento, organizado pela DASM (Diretoria de Atenção a Saúde Mental) da Sesapi, ocorreu em alusão ao Dia da Luta Antimanicomial, celebrado originalmente em dia 18 de maio.
No palco, os profissionais acompanharam encenações de situações reais de atendimento. As peças mostraram como a falta de escuta qualificada (o ato de ouvir o paciente com atenção e sem julgamentos) reproduz a lógica dos antigos manicômios, onde a individualidade era apagada. É o equivalente a ignorar a dor do outro para apenas bater metas ou preencher fichas.
De acordo com Rosa Maria, diretora de atenção a saúde mental da Sesapi, o encontro promove a conscientização sobre o acolhimento correto, garantindo a dignidade exigida pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
A qualificação reuniu servidores de diferentes frentes de atendimento, fortalecendo a rede estadual.
O que muda na prática
O treinamento impacta diretamente a ponta do atendimento, transformando a rotina de quem busca apoio psicológico ou psiquiátrico na rede pública. O foco é substituir o isolamento e o tratamento mecânico por um acolhimento próximo, onde o paciente é de fato escutado desde a triagem.
- Público-alvo: Trabalhadores de CAPS (Centros de Atenção Psicossocial, que oferecem atendimento diário), residências terapêuticas, UBS (Unidades Básicas de Saúde) e hospitais da rede.
- Metodologia: Encenação de práticas cotidianas para identificar falhas no acolhimento de pacientes.
- Foco principal: Fortalecer a educação permanente sobre a luta antimanicomial.
Para Leonardo Sales, coordenador pedagógico e tutor do programa de residência multiprofissional da UESPI, esse formato de educação permanente é o que garante a qualidade do serviço prestado à população na rede de atenção psicossocial. Na prática, a saúde mental deixa de ser apenas uma guia de encaminhamento e passa a ser um espaço de escuta real.
