Tele-reabilitação no JAMA: ensaio na UTI antecipa recuperação e muda alta
Publicada em 18 de junho, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.
Quando a pessoa sai da UTI, a parte mais difícil costuma começar fora do hospital. É ali que entra a tele-reabilitação testada no Cemetron: um ensaio clínico publicado em 10 de junho no Journal of the American Medical Association (JAMA) avaliou como uma reabilitação multicomponente com telessaúde impacta a qualidade de vida de adultos 90 dias após a alta.
Pensa numa obra: se o pedreiro só aparece no “final da reforma”, todo mundo sofre com o atraso. No estudo, o cuidado foi desenhado como processo contínuo, começando no período crítico da UTI, seguindo na enfermaria e chegando aos dois primeiros meses após a alta por consultas virtuais.
O Tele-Rehab MV Trial foi feito em UTIs de 20 hospitais públicos brasileiros, com participação do Hospital Cemetron. A proposta reuniu uma equipe multidisciplinar ao longo da linha de cuidado: Medicina Intensiva, Infectologia, Clínica Médica, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, além de Psicologia e Nutrição.
Dentro desse conjunto, a fonoaudiologia entra para atuar, entre outras frentes, na recuperação da fala e da deglutição após intubação.
O que o estudo mediu na prática
Os participantes tinham insuficiência respiratória hipoxêmica aguda e precisaram de ventilação mecânica invasiva. O foco foi acompanhar a recuperação com uma intervenção integrada baseada em telessaúde e observar como isso refletiu em desfechos clínicos depois da alta.
O que os representantes do Cemetron destacaram foi um resultado bem objetivo. Segundo Larissa Macedo, coordenadora da UTI do Cemetron, o programa ajudou a reduzir em mais de seis dias o tempo de uso dos respiradores. Em paralelo, houve queda na mortalidade em 90 dias, de 78,3% para 71,8%.
Ela também relatou ganho médio de 5 dias a mais de vida fora do hospital. Ou seja, a consequência associada ao modelo é que a alta pode ocorrer antes do previsto, mantendo a reabilitação com continuidade no período pós-internação.
- Mortalidade (90 dias): caiu de 78,3% para 71,8%
- Tempo de ventilação: redução de mais de seis dias no uso de respiradores
- Vida fora do hospital: ganho médio de 5 dias
- Equipe e transição: acompanhamento começou na UTI e seguiu por consultas virtuais
E daí pra mim? Se a reabilitação começa ainda na UTI e continua por consultas virtuais, a alta deixa de ser um “corta e pronto” e vira parte de um plano de recuperação, com potencial para aliviar o caminho do paciente e da rede depois que ele vai pra casa.
