Inovação & Tecnologia

Instituto Butantan coloca estudantes do ensino médio em laboratórios de elite

Com vagas disputadíssimas, o projeto de imersão gratuita prepara novos talentos da ciência para apresentarem pesquisas autorais em congressos.

Publicada em 24 de maio, 2026.

Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Instituto Butantan coloca estudantes do ensino médio em laboratórios de elite
SES São Paulo

Imagine passar em uma peneira de futebol de várzea muito concorrida e, no lugar de só assistir da arquibancada, ganhar a chance de treinar direto no centro de treinamento dos profissionais.

É esse o caminho que 19 estudantes de escolas públicas e privadas estão trilhando no Instituto Butantan. Na terça-feira (11), esse time de jovens talentos começou a atuar nos laboratórios de alta complexidade do órgão paulista.

A convocação para essa temporada veio por meio do programa Cientista Mirim, desenvolvido pela Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB) — instituição ligada à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

A disputa por uma vaga nesse elenco de futuros pesquisadores disparou. O processo seletivo registrou 205 inscrições, o que representa praticamente o dobro dos 107 candidatos que tentaram a sorte na edição de estreia.

Agora, o grupo vai treinar de verdade em 11 laboratórios da instituição. A lista de campos de treino inclui o Laboratório da Dor e Sinalização, o Laboratório de Herpetologia (estudo de répteis e anfíbios) e o Centro de Excelência para Descobertas de Alvos Moleculares (CENTD).

O ponto-chave é que essas promessas não entram em campo apenas para olhar. Sob a coordenação de Vanessa Olzon Zambelli, os jovens aprendem conceitos de biossegurança (regras para evitar contaminações e riscos à saúde no laboratório) e descarte de resíduos antes de iniciarem as atividades práticas.

O que muda na prática

A presença desses jovens oxigena a rotina dos laboratórios. De acordo com o diretor da ESIB, Rui Curi, a energia dos novos estudantes renova o entusiasmo dos pesquisadores experientes da casa.

Ao final da temporada de seis meses, os alunos mostram o resultado dos treinos ao apresentar seus relatórios na Reunição Científica Anual do Butantan, além de receberem incentivo para inscrever os trabalhos em congressos externos.

  • Duração do curso: 6 meses, com total de 144 horas de atividades
  • Rotina semanal: 2 dias por semana, com 3 horas diárias de dedicação
  • Disputa por vaga: 205 inscritos nesta edição para 19 selecionados

Na prática, colocar jovens para jogar lado a lado com cientistas renomados encurta a distância entre a sala de aula e a ciência de ponta. É essa vivência que prepara os futuros profissionais que vão descobrir novas curas e tratamentos para a saúde pública.

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