Inteligência artificial em Belém reduz erros de medicação e poupa verba do SUS
Publicada em 26 de maio, 2026.
Atualizada em 1 de julho, às 16:06.

Sabe quando o corretor ortográfico do celular salva você de mandar aquela mensagem errada e passar vergonha no grupo de amigos? Em Belém, os médicos contam com um "corretor" muito parecido, mas que em vez de salvar conversas, salva vidas de pacientes no SUS.
A inteligência artificial aplicada ao dia a dia do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC) já evitou o desperdício de mais de R$ 70 mil em medicamentos. A plataforma NoHarm.ai, que opera na instituição desde novembro do ano passado, atendeu mais de 6 mil pacientes.
Esse desempenho garantiu ao hospital o Troféu NoHarm por Mil Vidas Impactadas nesta terça-feira (26). A premiação reconhece o trabalho de prevenção de falhas antes que o remédio chegue ao leito do paciente.
Na prática, o sistema atua como aquele corretor do celular que avisa sobre o erro antes de você apertar o botão de enviar. O software faz uma varredura automática no banco de dados e aponta dosagens erradas, duplicidades ou incompatibilidades terapêuticas (quando a mistura de remédios diferentes faz mal à saúde).
Assim que o alerta soa, a equipe de farmacêuticos revisa o caso e ajusta o tratamento junto aos médicos. Segundo o relatório NoHarm 2025/2026, apresentado pelo farmacêutico clínico Ruan Barros, o sistema ajudou nas seguintes ações:
- Suspensão de itens: interrupção de remédios desnecessários que geravam custos inúteis.
- Ajuste de dosagem: correção das quantidades de remédio para o perfil do paciente.
- Substituição de antimicrobianos: troca assistida de remédios contra infecções (como antibióticos).
- Correção de duplicidade: eliminação de receitas repetidas para o mesmo fim.
O ponto-chave é que a tecnologia não substitui os seres humanos. Ela apenas limpa o caminho burocrático para farmacêuticos, médicos e enfermeiros trabalharem mais integrados.
A responsável técnica pelo Serviço de Farmácia Hospitalar (SEFAR), Úrsula Araújo, destaca que a agilidade apoia o dia a dia e ajuda no aprendizado, pois o hospital atua como escola.
A presidente da Fundação do hospital, Ana Lídia Cabeça, a diretora técnica, Adriana Vale de Lima, e a farmacêutica da plataforma, Ana Helena Ulbrich, explicam que o engajamento de todos garantiu esses resultados rápidos.
O que muda na prática
Para o paciente, a tecnologia garante o remédio exato na dose correta, eliminando o risco de efeitos colaterais perigosos. Para o hospital e para a rede pública, cada centavo poupado com desperdício de remédios significa mais verba no bolso do SUS para financiar novos exames, consultas e tratamentos. É a tecnologia garantindo que a sua receita chegue sem erros e o dinheiro público renda mais.
