Iniciação científica: Fiocruz abre a Jornada do Provoc e completa 40 anos
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Quem estuda pensando em futuro vive a mesma ansiedade do dia a dia: “isso vai me alcançar ou fica só no discurso?”. Na Fiocruz, a resposta veio com a 3ª Jornada Nacional de Iniciação Científica da Rede Provoc, reunindo cerca de 200 estudantes de diferentes estados e do Distrito Federal nos dias 28 e 29 de maio.
Pense na Jornada como uma feira de receitas bem feita: cada estudante chega com um “ingrediente” da própria pesquisa e, no encontro, as ideias viram conversa, troca e comparação do que faz sentido. A analogia ajuda a entender o formato sem complicar. O objetivo foi apresentar trabalhos, participar de oficinas e compartilhar experiências ligadas a juventude, ciência e políticas públicas.
O encontro também teve motivo de sobra para celebrar. A Fiocruz marcou os 40 anos do Programa de Vocação Científica (Provoc), reforçando que formar jovens para produzir e compreender ciência é parte do caminho da Fundação para cidadania e transformação social.
Na abertura das falas, o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, conectou o Provoc ao papel histórico da instituição. Ele lembrou o ciclo dos 125 anos da Fiocruz, encerrado em maio de 2026, e associou essa trajetória a uma construção coletiva voltada para defesa da democracia e do bem-estar social. O ponto apareceu de forma direta quando ele tratou a iniciação científica como direito.
Moreira disse que os 3 mil alunos que passaram pelo Provoc ao longo dos anos não estariam ali por “favor do Estado”, mas por direito. Para ele, a juventude não precisa “esperar” para existir no futuro: ela participa dele agora.
A coordenação da Rede Provoc e a equipe da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) também reforçaram por que essa etapa é importante. Jefferson Almeida descreveu o Provoc como uma prática de quatro décadas que usa a ciência como instrumento de inclusão social, em um espaço que ainda é pouco explorado. Já Cristiane Nogueira colocou a iniciação científica como democratização do conhecimento e transformação social, com pesquisa na educação básica tratada como política de Estado.
O que muda na prática
- Direito de formação: iniciação científica como algo que deve existir para os jovens, e não como concessão.
- Ciência com inclusão: proposta de usar ciência para ampliar participação e humanizar o futuro.
- Ampliação de rede: esforço para envolver mais escolas e instituições, com articulação entre EPSJV e unidades da Fiocruz.
- Pesquisa em políticas públicas: usar a educação básica para pensar transformações no mundo real.
Representando direções de unidades participantes, Carla Celedônio citou articulações para ampliar o Provoc no estado do Ceará e mencionou a parceria da EPSJV no fortalecimento da educação básica e da formação técnica, incluindo a instalação do Distrito de Inovação e Saúde do Ceará.
Já Anamaria Corbo, diretora da EPSJV, disse que a coordenação da Rede Provoc articula diferentes unidades e escritórios da Fiocruz e também vice-presidências, apontando como desafio ampliar a rede com institutos federais, escolas técnicas ligadas a universidades e escolas do SUS.
Na programação, a Jornada começou no dia 28 de maio com mesa de abertura e vídeo de celebração dos 40 anos do Provoc, com participação de representantes da Fiocruz e de órgãos como MCTI, MEC e Secretaria Nacional da Juventude. No primeiro dia, os estudantes apresentaram trabalhos em pôster, com encerramento em confraternização e momento cultural com a DJ Bieta.
No segundo dia, eles visitaram espaços do Museu da Vida e fizeram oficinas sobre juventude e ciência, com atividades de batucada e rodas de conversa. E aí a pergunta que fica é simples: se a iniciação científica entra na sua rotina agora, o que ela pode virar no seu caminho?
