Bem-Estar

Ataques cibernéticos: a escola que treina servidores públicos contra invasões há 20 anos

A capacitação técnica da ESR impede vazamentos em hospitais universitários e garante a proteção de dados de cidadãos.

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Publicada em 26 de junho, 2026.

Atualizada em 1 de julho, às 06:02.

Ataques cibernéticos: a escola que treina servidores públicos contra invasões há 20 anos
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Proteger os dados de um hospital público é como gerenciar a portaria de um condomínio movimentado. Se o porteiro cochilar ou liberar a entrada de qualquer visitante sem crachá, a segurança de todos os moradores cai por terra.

Para evitar invasões digitais no setor público, a Escola Superior de Redes (ESR) atua há 20 anos como uma academia de treinamento para esses "porteiros virtuais". A instituição é o braço de capacitação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que responde ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Na prática, o trabalho protege o fluxo de dados em universidades, centros de pesquisa e hospitais universitários de todo o país. A escola surgiu para resolver um gargalo antigo: a escassez de profissionais de TICs (Tecnologia da Informação e Comunicação) no governo.

O maior teste histórico da instituição ocorreu durante a transição para o protocolo IPv6 (a versão mais recente do sistema global de endereçamento da internet). A capacitação em massa evitou um apagão nacional de IPs (os endereços virtuais que identificam cada dispositivo conectado).

O aprendizado ocorre por meio de simulações realistas e ao vivo. No Pará, o servidor Caio Rego utilizou as aulas sobre as normas ISO 27.000 (o padrão internacional para gestão de segurança da informação) para criar a política de defesa cibernética da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Ele começou na área sem experiência e hoje comanda a superintendência de Tecnologia da Informação do órgão.

Em São Paulo, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o analista Leandro Tenório usou sistemas como Docker e Kubernetes (plataformas de gerenciamento de aplicativos em contêineres virtuais), além do Graylog (sistema de gerenciamento de logs), para criar um setor inédito de resposta a crises digitais. A medida adequou a instituição ao Programa de Privacidade e Segurança da Informação (PPSI) do governo federal.

O que muda na prática

Para o cidadão que utiliza o sistema público de saúde ou estuda em uma instituição federal, o impacto é a garantia de que prontuários médicos e dados pessoais continuem protegidos contra vazamentos de dados.

  • Áreas de atuação: 14 trilhas de conhecimento, com foco em Inteligência Artificial, Saúde Digital, Computação em Nuvem e Segurança.
  • Metodologia de ensino: Prática baseada em laboratórios virtuais e simulações de incidentes cotidianos.
  • Impacto institucional: Adequação ágil de órgãos federais à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
  • Alcance nacional: Interiorização de conhecimentos específicos para servidores de regiões mais distantes.

O ponto-chave é que sistemas públicos seguros exigem equipes qualificadas. Manter as defesas atualizadas é o que garante o funcionamento dos serviços digitais sem sobressaltos.

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