26% de presença feminina na mídia: avanço trava e muda pouco
Publicada em 25 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

O noticiário pode até ter muitas vozes, mas o espaço que as mulheres ocupam ainda é menor do que deveria. Um levantamento do GMMP (Projeto de Monitoramento Global da Mídia) achou 26% de representação feminina nas matérias, mesmo com as mulheres somando metade da população mundial.
O GMMP funciona como um “controle de estoque” da mídia. Ele monitora o retrato do jornalismo no dia a dia: quem aparece na reportagem e com qual função (por exemplo, como fonte ou como repórter). Esse monitoramento ocorre há cinco anos em mais de 100 países, com publicação desde 1995.
No Brasil, o relatório saiu nas duas últimas edições, com coordenação nacional de Elizângela Carvalho Noronha e Cláudia Lago.
O que aparece nos números é uma cobertura com cara de receita incompleta: quando a base não muda, o resultado segue parecido. E o estudo mostra onde a estagnação fica mais visível.
O que muda de verdade por meio e função
Na prática, a participação varia conforme o formato. As mulheres aparecem mais como repórteres na internet (48%) e menos na televisão (36%).
Entre as fontes ouvidas, a ordem vira um pouco. Elas têm mais presença no jornal impresso (24%) e menos na internet (19%).
Os temas também seguem trajetórias diferentes. No jornalismo analisado em jornal, rádio e TV, as mulheres são mais ouvidas em assuntos como violência de gênero, saúde e ciência. Já no ambiente digital, ganham mais espaço em celebridades, artes e mídia.
O ponto-chave, porém, é outro: mesmo quando as jornalistas são mulheres, a presença de fontes femininas não cresce de forma expressiva. Ou seja, muitas reportagens ainda recorrem principalmente a homens.
Hard news puxam o padrão
A divisão aparece com clareza quando o assunto entra na categoria de hard news (notícias ligadas ao noticiário cotidiano de temas como agenda pública e crises). Nesses espaços, o estudo aponta predominância masculina, incluindo política, economia, esportes e criminalidade.
No jornalismo esportivo, a diferença fica ainda mais nítida: homens aparecem entre 73% e 92% das matérias analisadas.
Quando o conteúdo se aproxima de gênero, a oscilação continua. O relatório indica que temas de equidade, legislação e políticas de direitos humanos aparecem em 8% das matérias. Em violência de gênero, o protagonismo das notícias fica entre 1% e 2% nos diferentes formatos.
- Representação geral: 26% das notícias com presença feminina
- Repórteres por meio: 48% na internet e 36% na televisão
- Hard news: predominância masculina em política, economia, esportes e criminalidade
- Equidade e políticas: 8% das matérias analisadas
E daí pra mim?
Se a redação não mexe em quem vira fonte, em quais papéis essas pessoas ocupam e em quais temas ganham enquadramento, a tendência é repetir o mesmo retrato. O GMMP Brasil 2025 aponta que a mudança depende de decisões concretas de pauta para a presença feminina avançar além do registro de vítimas e chegar com peso aos temas centrais do noticiário.
