Dengue em Salvador acende alerta com alta de casos e sorotipo mais grave
Publicada em 26 de maio, 2026.
Atualizada em 9 de setembro, às 22:00.

Sabe quando você deixa só um copo na pia e, em poucos dias, surge uma montanha de louça acumulada? Com a água parada funciona igual: basta um pequeno descuido para os criadouros do mosquito se multiplicarem. Salvador vive exatamente esse momento de alerta.
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) registrou 1.356 casos prováveis de dengue até a 20ª Semana Epidemiológica de 2026 (em 22 de junho). O número supera os 1.204 registros do mesmo período de 2025.
No caso da chikungunya, o salto foi de 75 para 135 casos prováveis. O aumento acompanha as chuvas recentes, que facilitam o acúmulo de líquido e aceleram a reprodução do mosquito Aedes aegypti. Além disso, o ponto-chave é que o sorotipo DENV-2 (uma variação mais agressiva do vírus da dengue) domina 99,6% das amostras analisadas na capital baiana, o que eleva o risco de quadros graves.
O que muda na prática
Para evitar que essa "montanha de louça" cresça ainda mais, a prefeitura intensificou o monitoramento nos bairros com maior concentração de hospitalizações: Subúrbio Ferroviário, Cabula/Beiru e Itapuã.
Na prática, o município reforçou os protocolos de atendimento nas unidades de urgência e ampliou as equipes de UBV costal (o fumacê aplicado com equipamentos carregados nas costas dos agentes). No bairro de Paripe, ações de bloqueio contra o mosquito começaram na terça-feira (26). Na quarta-feira (27), uma força-tarefa da Limpurb e do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) realizou mutirões de limpeza e aplicação de inseticida.
O cenário geral das doenças em Salvador se resume nos seguintes indicadores:
- Casos de dengue: 1.356 diagnósticos prováveis em 2026 (contra 1.204 em 2025)
- Casos de chikungunya: 135 registros prováveis em 2026 (contra 75 em 2025)
- Perfil viral: DENV-2 representa 99,6% das amostras na cidade
- Óbitos: 1 confirmado por dengue, 2 em investigação e 1 suspeito por chikungunya
Embora o patamar atual ainda seja menor do que o registrado nos anos de alta transmissão de 2023 e 2024, o secretário municipal da Saúde, Rodrigo Alves, reforça que o combate exige esforço coletivo. A recomendação é eliminar qualquer água parada em casa e procurar um posto de saúde se apresentar febre, dores no corpo ou manchas vermelhas na pele.
