Câncer de cólon e estômago registram salto em novas projeções no Paraná
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 29 de agosto, às 22:00.

Sabe aquele barulhinho estranho no motor do carro que a gente ignora para não ter que ir ao mecânico? Na saúde do nosso corpo, o comportamento costuma ser parecido: cerca de 20% da população mundial convive com algum problema no intestino, mas 90% dessas pessoas não procuram ajuda médica cedo.
O alerta ganha força com o Dia Mundial da Saúde Digestiva, em 29 de maio. No Paraná, as novas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o ano de 2026 acendem um sinal amarelo para a necessidade de exames preventivos.
As projeções de câncer de cólon e reto no estado, que se mantinham em 2.560 novos casos anuais em 2024 e 2025, vão saltar para 3.620 casos em 2026. Já os diagnósticos de câncer de estômago vão subir de 1.080 para 1.550 novas ocorrências anuais.
Assim como ignorar o motor do carro pode fazer o veículo pifar no meio da estrada, empurrar com a barriga aquela queimação ou refluxo esconde riscos graves. No Brasil, o câncer de cólon e reto representa 10,3% dos casos em homens e 10,5% em mulheres, dentro do total de 781 mil novos diagnósticos de câncer estimados pelo INCA. O de estômago atinge 5,4% dos homens e 3,3% das mulheres.
O secretário de Saúde do Paraná, Dr. César Neves, que é gastroenterologista (médico especialista em aparelho digestivo), reforça que o diagnóstico precoce muda o rumo do tratamento. O ponto-chave é não normalizar o desconforto constante.
- Sintomas digestivos: náuseas, azia, refluxo, dor de estômago, sensação de estômago cheio, diarreia ou prisão de ventre.
- Sintomas atípicos: tosse seca, dor no peito, sinusite, asma, dor de cabeça, déficit de atenção e lesões na pele.
- Sinais de gravidade: perda de peso sem explicação e presença de sangue nas fezes.
- Hábitos preventivos: manter o peso corporal saudável, praticar exercícios e evitar cigarro, bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados.
O que muda na prática
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) estruturou o atendimento para que o paranaense consiga realizar exames de alta complexidade, como endoscopia (exame que analisa o esôfago e o estômago) e colonoscopia (exame do intestino grosso), em sua própria região.
O caminho do cuidado começa na Atenção Primária, ou seja, na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de casa. A diretora de Atenção e Vigilância da Sesa, Maria Goretti David Lopes, explica que é nessa primeira consulta que os médicos identificam os sintomas iniciais para encaminhar o paciente aos exames especializados da rede estadual, de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Na prática, o recado é simples: se notar qualquer sinal persistente, não espere o motor parar de funcionar para procurar a UBS mais próxima.
