Política & Gestão

Parar de fumar vira meta e buscas por tratamento no SUS batem recorde

A expansão de postos de atendimento no país ajudou a duplicar a procura por suporte médico gratuito contra a dependência do tabaco

Publicada em 30 de maio, 2026.

Atualizada em 25 de agosto, às 16:00.

Parar de fumar vira meta e buscas por tratamento no SUS batem recorde
Ministério da Saúde

Sair de um vício como o cigarro é muito parecido com terminar aquele relacionamento tóxico que todo mundo manda você largar, mas você insiste em manter por perto. No fundo, a nicotina funciona como aquele ex inconveniente: promete um alívio temporário, mas cobra uma conta de saúde altíssima logo depois.

Em 2025, mais de 2,5 milhões de brasileiros decidiram tomar essa atitude e buscaram atendimento médico gratuito para parar de fumar. O volume representa um salto de 95% na comparação com 2022, quando a procura voluntária foi de 1,2 milhão de pessoas nas unidades de saúde.

O fato por trás dessa mudança é o reforço da Atenção Primária à Saúde (a porta de entrada do cidadão no sistema público através dos postos de bairro). O país contava com 82,5 mil equipes financiadas pelo governo federal em dezembro de 2022 e hoje soma 104,3 mil. Esse acréscimo de 21,8 mil novos serviços inclui as eMulti (Equipes Multiprofissionais), o SESB (Serviço de Especialidades em Saúde Bucal) e novas equipes de Saúde da Família.

O maior desafio atual atende pelo nome de DEFs (Dispositivos Eletrônicos para Fumar, conhecidos como cigarros eletrônicos). Com cheiro agradável e visual moderno, eles geram uma falsa sensação de segurança. De acordo com a pesquisa Vigitel 2024, o consumo de tabaco e vapes entre adultos subiu de 11,3% em 2019 para 13,1% em 2024. Na faixa de 18 a 24 anos, o índice atingiu o recorde de 10,1% de usuários.

Para combater o problema, a campanha da Organização Mundial da Saúde de 2026 foca em desmascarar o apelo tecnológico desses produtos que buscam atrair os mais novos. No Brasil, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) coordena as ações de prevenção.

O que muda na prática

Para quem deseja apoio médico para cortar o vínculo com a nicotina de vez, o caminho começa no posto de saúde mais próximo de casa. O tratamento no SUS é gratuito e estruturado para dar suporte em todas as etapas da recuperação.

  • Metodologia de apoio: sessões individuais ou coletivas baseadas na abordagem cognitivo-comportamental (tratamento terapêutico focado em entender e mudar hábitos diários).

  • Remédios gratuitos: fornecimento de adesivos, gomas e pastilhas de reposição de nicotina, além do medicamento bupropiona.

  • Ações coletivas: rodas de conversa educativas nas unidades básicas, que saltaram de 61,9 mil em 2022 para 157,1 mil encontros em 2025.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que a rede pública está preparada para acolher essa demanda com equipes capacitadas perto de casa. No fim das contas, deixar o cigarro exige esforço, mas contar com medicação e profissionais gratuitos no seu bairro deixa esse rompimento muito mais seguro.

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