Como a água-viva imortal pode ajudar na medicina contra o envelhecimento

A minúscula água-viva Turritopsis dohrnii possui uma habilidade única na natureza: ela é capaz de desafiar a morte. Quando sofre estresse, passa fome ou é ferida, a criatura se encolhe até o fundo do mar, transforma suas células em um estágio jovem (pólipo) e reinicia todo o seu ciclo de vida.
Por causa desse processo contínuo de rejuvenescimento, o animal ganhou o apelido de "água-viva imortal" e se tornou o foco de pesquisadores de todo o mundo.
Como funciona o rejuvenescimento do animal?
Na maioria das espécies, inclusive nos humanos, as células-tronco se transformam em tecidos específicos (como músculos ou nervos) e permanecem assim até envelhecer e morrer.
Na Turritopsis dohrnii, acontece um fenômeno raro chamado transdiferenciação: as células adultas regridem para o estado de células-tronco e se reprogramam em novas estruturas, gerando um novo organismo a partir de um indivíduo adulto.
Aplicações na saúde humana
O objetivo dos cientistas não é criar uma "fórmula da juventude" para humanos, mas aplicar os segredos genéticos do animal na medicina regenerativa. Mapeando as "chaves moleculares" que ativam o reparo celular, médicos esperam criar tratamentos para:
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Recuperação de órgãos: regenerar tecidos do coração lesionados por infartos ou áreas do cérebro afetadas por AVCs;
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Doenças neurodegenerativas: conter ou reverter danos causados por enfermidades como o Alzheimer;
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Cicatrização e visão: acelerar a cura de ferimentos graves e tratar perdas visuais ligadas à idade.
Estudos genéticos já identificaram que o DNA dessa água-viva possui múltiplas cópias de genes voltados para o reparo de danos no código genético e para a proteção dos telômeros (estruturas que protegem o DNA do desgaste celular).
Apesar do potencial promissor, pesquisadores ressaltam que as aplicações práticas em seres humanos ainda estão em fase inicial de investigação.
