Mortalidade materna e infantil: oficinas da SRS treinam investigação em série
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 19 de julho, às 14:00.

Se a investigação de um óbito é o “raio-x” do que deu errado na assistência, então os dias 7 e 20/5 viraram um desses momentos em que o serviço para, estuda o caso e organiza o caminho para evitar que o mesmo problema se repita.
Na Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Governador Valadares, o Comitê de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal promoveu ações para fortalecer as investigações de óbitos e qualificar a assistência nos municípios da região.
Na prática, foi como ajustar o manual de procedimentos antes de entrar em campo: primeiro com uma capacitação e depois com uma oficina. No encontro inicial, enfermeiros da Atenção Primária participaram de treinamento sobre investigação de óbitos maternos, infantis e fetais.
Já no segundo dia, a equipe colocou a mão na massa: houve uma oficina prática com profissionais da saúde e integrantes do comitê. O foco foi discutir fluxos, formulários e análises de casos reais.
A médica Katiuscia Rodrigues, referência do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) da SRS Governador Valadares, explicou que os comitês têm um papel central na prevenção de novos óbitos evitáveis. Ela relacionou o trabalho a um “evento sentinela”, ou seja, um caso que acende o alerta para estudar o que aconteceu e identificar possíveis falhas a serem corrigidas.
Segundo ela, a investigação é detalhada e passa por informações do pré-natal, da assistência especializada, do parto, do puerpério e do cuidado com a criança. O ponto-chave é que a análise exige técnica e integração entre serviços. Na oficina, o grupo simulou um caso real e discutiu formulários e fluxos para consolidar o entendimento do processo.
Para Camila Mesquita, coordenadora de Vigilância em Saúde do município de Coroaci, a capacitação ajudou na qualificação das investigações. Ela disse que a abordagem foi didática e que os trabalhos devem melhorar tanto as investigações de óbito fetal e infantil quanto a formação dos comitês com integrantes da assistência, com avaliação dos serviços e atenção às melhorias necessárias para mitigar óbitos evitáveis.
O que muda na prática
- Público-alvo: enfermeiros da Atenção Primária e profissionais ligados às investigações
- O que foi treinado: investigação de óbitos maternos, infantis e fetais, com discussão de fluxos e formulários
- Como foi aplicado: simulação de caso real e análise de situações
- Objetivo do comitê: fortalecer a prevenção de óbitos evitáveis pelo estudo do evento sentinela
A oficina ainda contou com facilitadores da região. Maria Cláudia Macedo, membro do Comitê Municipal de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal de Governador Valadares, destacou a importância da troca de experiências entre os profissionais.
E daí pra mim? Na ponta, essa organização do processo ajuda a transformar informação em ação: quando o fluxo e os formulários estão claros, a investigação fica mais consistente e o aprendizado pode reduzir falhas que levam a óbitos evitáveis.
