Política & Gestão

Autismo no Pará: governo cria canal de escuta para famílias atípicas

Encontros permanentes pretendem aproximar as demandas reais da população das futuras decisões estratégicas do Estado.

Publicada em 18 de junho, 2026.

Atualizada em 21 de agosto, às 06:01.

Autismo no Pará: governo cria canal de escuta para famílias atípicas
SES Pará (SESPA)SES Pará (SESPA)

Sabe quando a vizinhança puxa uma cadeira na calçada para decidir junta como melhorar a rua e acolher todo mundo? É mais ou menos essa a ideia do "Bora conversar?", projeto criado para aproximar o governo de quem vive a realidade da neurodivergência no dia a dia.

A primeira edição do evento reuniu dezenas de famílias, pessoas neurodivergentes e representantes da sociedade civil organizada na Usina da Paz da Cabanagem nesta quarta-feira (17). O plano da Secretaria de Saúde do Pará é colher sugestões diretas da comunidade antes de fechar o planejamento estratégico para o setor.

O foco do encontro são as chamadas famílias atípicas (aquelas que possuem pessoas com desenvolvimento neurológico diferente do padrão típico) e diagnósticos como TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) ou TOD (Transtorno Opositor Desafiador).

Para Leidiane Silva, mãe de uma menina de dois anos e nove meses diagnosticada com TEA em 29 de abril, o encontro foi como abrir a janela de casa para o acolhimento entrar. Ela conta que receber o laudo muitas vezes isola a mãe de amigos e parentes. Encontrar pessoas na mesma situação traz o conforto e a troca de experiências necessárias para seguir em frente.

A coordenadora da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (CEPA), Flávia Marçal, explicou que a comunidade precisa ser parte ativa na criação de metas e projetos desenvolvidos pelo estado. O plano agora é repetir o modelo para estruturar uma conversa constante.

  • Foco do projeto: Escutar as demandas de pessoas neurodivergentes para sugerir políticas públicas eficazes.
  • Ponto de encontro: Usina da Paz da Cabanagem.
  • Próximos passos: Tornar o canal de diálogo permanente com novas edições do evento.

O que muda na prática

Na prática, em vez de o governo desenhar projetos dentro de salas fechadas, as decisões passam a contar com a participação de quem realmente usa os serviços no cotidiano. Isso reduz a distância entre o poder público e as famílias, garantindo que o atendimento nas redes de saúde acolha também as mães e responsáveis que frequentemente enfrentam a exclusão social após o diagnóstico.

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