Vitiligo no Paraná: SUS amplia tratamento integral no Hospital Dermatológico
Publicada em 26 de junho, 2026.
Atualizada em 12 de julho, às 14:01.
No Dia Mundial do Vitiligo, celebrado em 25 de junho, a conversa muda de “estigma” para cuidado. No Paraná, o Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSPR), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), oferece atendimento gratuito e especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com foco em quem precisa de acompanhamento contínuo e terapias de repigmentação cutânea.
Pensa no vitiligo como uma pintura que começa a “descobrir a tela” da pele: quando a cor natural some, o problema fica mais visível. No hospital, o objetivo é recuperar essa base com tratamento e rotina, do início até as etapas de acompanhamento.
O serviço funciona como ambulatório específico em dermatologia desde 2023 e tem registrado aumento no volume de pacientes. Em 2025, foram contabilizados 209 pacientes ativos de vitiligo, sendo 74 novos. Em 2026 (janeiro a maio), já são 125 pacientes ativos, com 37 novos no período.
O que o vitiligo é, na prática
O vitiligo é uma doença autoimune e genética. Ou seja: o corpo passa a atacar células que dão cor à pele. Segundo o médico Caio Cesar Silva de Castro, coordenador do serviço do HDS, as células de defesa, chamadas linfócitos T (um tipo de célula do sistema imunológico), se voltam contra os melanócitos (as células produtoras de melanina), destruindo-os.
Com menos melanina, a pele perde uma barreira natural de proteção contra o sol. O médico explica que isso eleva o risco de queimaduras, envelhecimento precoce e lesões pré-cancerígenas. Ele também aponta possibilidade de implicações internas, como inflamações oculares e perda auditiva neurossensorial, já que há melanócitos no ouvido interno e nos olhos.
Diagnóstico e tratamento no SUS
O diagnóstico é clínico, feito pelo dermatologista com apoio da Lâmpada de Wood (equipamento que evidencia áreas despigmentadas em salas escuras). Em situações específicas, pode ser necessária biópsia e exame anatomopatológico (análise de tecidos).
O HDS atende formas do vitiligo, incluindo o segmentar e o não segmentar (que abrange formatos focal, acrofacial, generalizada e universal). Não existe cura definitiva, mas o tratamento atual pode levar pacientes a remissão por períodos longos.
O protocolo citado como ideal na atualidade envolve fototerapia com UVB de banda estreita. A fototerapia, descrita pelo médico, é feita em cabine de luz ultravioleta, atuando no processo biológico do problema: ela reduz as células de defesa invasoras e estimula a repigmentação natural.
- Acesso: atendimento especializado pelo SUS, com encaminhamento a partir da Unidade Básica de Saúde
- Volume atendido: 209 pacientes ativos em 2025 (com 74 novos)
- Crescimento do acompanhamento: 125 ativos em 2026 (jan a mai), com 37 novos
- Tratamento-chave: fototerapia UVB de banda estreita em longo prazo, conforme resposta individual
E o “e daí pra mim”
Se você vive com manchas que mudam o espelho e mexem com a rotina, a consequência prática aqui é clara: no Paraná, o cuidado para vitiligo tem caminho regulado, é gratuito e parte do básico (encaminhamento na UBS) até a terapia de cabine de luz no hospital. É tratamento pensado para continuidade, não só para “resolver na foto”.

