Cientistas criam pílula masculina para tomar 30 minutos antes do sexo; ainda sem testes em humanos

Comprimido bloqueia temporariamente a mobilidade dos espermatozoides por seis a oito horas e não causou efeitos colaterais em animais; a fase 1 em humanos é o próximo passo.

Por:
Weill Cornell Medicine

Publicada em 25/10/2026, às 21:00

Atualizada há 1 hora

Cientistas criam pílula masculina para tomar 30 minutos antes do sexo; ainda sem testes em humanos

Pesquisadores da faculdade de medicina Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos, desenvolveram uma pílula anticoncepcional masculina que promete revolucionar o planejamento familiar. O medicamento é tomado 30 minutos antes da relação sexual e oferece uma janela de proteção de seis a oito horas contra a gravidez, permitindo que a fertilidade do homem retorne totalmente ao normal logo em seguida.

Atualmente, cerca de metade das gestações no mundo ocorrem de forma não planejada, e as opções masculinas se limitam ao uso de preservativos ou à vasectomia. Com isso, a responsabilidade contraceptiva recai majoritariamente sobre as mulheres, que muitas vezes dependem de hormônios com diversos efeitos colaterais.

Como funciona a nova pílula?

O comprimido atua bloqueando temporariamente uma enzima chamada adenilil ciclase solúvel (sAC), que fica dentro do espermatozoide. Essa substância é o "motor" que faz o espermatozoide nadar após a ejaculação.

Ao desligar essa enzima:

  • Os espermatozoides perdem a capacidade de nadar e não conseguem alcançar o óvulo para fertilizá-lo;
  • O efeito ocorre em apenas meia hora;
  • Após o período de seis a oito horas, a enzima volta a funcionar e os espermatozoides recuperam a mobilidade normal.

Vantagens e próximos passos

Diferente de outras opções masculinas em teste, como géis diários ou injeções que levam semanas para agir e demoram a sair do organismo, a nova pílula atua apenas quando necessário, sem mexer com os hormônios masculinos.

Nos testes realizados com animais, não foram observados efeitos colaterais. A equipe recebeu um financiamento de US$ 8,2 milhões do Instituto Nacional de Saúde Infantil dos EUA para iniciar a fase 1 de testes clínicos em seres humanos, que vai avaliar a segurança do remédio e confirmar a paralisia temporária do esperma em voluntários saudáveis.

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