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Mapear biodiversidade no Brasil: como registros ajudam a proteger espécies e reduzir riscos

Conhecer os hábitos das espécies da fauna brasileira pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias de conservação. Pesquisadores utilizam fotos, sons, pegadas e fezes para enriquecer os estudos

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Publicada em 27 de maio, 2026.

Atualizada em 9 de julho, às 04:01.

Mapear biodiversidade no Brasil: como registros ajudam a proteger espécies e reduzir riscos
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Se você quer proteger um lugar, o primeiro passo costuma ser saber quem vive nele e em que época aparece. No caso da biodiversidade brasileira, mapear espécies é justamente isso: organizar evidências para construir estratégias de conservação que façam sentido no mundo real, e não só no papel.

Pense como quem monta o “caderno” do bairro para não perder o timing das coisas. Você anota quem aparece quando, onde costuma circular e quais sinais entrega a presença. Na ciência, essa lógica aparece no monitoramento: pesquisadores registram informações sobre espécies com fotos, sons, pegadas e fezes. Com esses registros, fica mais fácil enxergar padrões de migração, reprodução e ocupação de habitats.

Esse acompanhamento gera base para estudos ligados à polinização (o processo que ajuda plantas a produzirem frutos). Além disso, quando habitats naturais encolhem e a diversidade cai, aumenta a chance de pessoas terem mais contato com animais silvestres, o que pode favorecer a transmissão de vírus e bactérias.

O que muda na prática

Uma vantagem importante do mapeamento aparece quando a espécie é difícil de detectar. Em espécies migratórias, pode ser complicado saber se o animal só passou por uma região ou se permaneceu nela. O que muda é a forma de olhar: o ponto-chave é usar os dados para planejar conservação considerando a “rota” do animal, e não apenas um ponto isolado no mapa.

Outra peça do quebra-cabeça é a participação da comunidade por meio da ciência cidadã (também chamada de ciência comunitária). Segundo pesquisa do IBGE, esse tipo de contribuição passou a ser central no fornecimento de registros, respondendo por 49,83% das ocorrências disponíveis. Um exemplo citado é que uma imagem pode indicar tanto que a espécie ocorre na área quanto que ao menos passa por ali em certa época do ano.

Para reunir e organizar essas informações, o levantamento usa dados do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), que conecta dados nacionais e internacionais. Assim, pesquisadores de diferentes países conseguem usar o material em estudos de escala regional e global.

E quando chegam os números, a imagem fica mais nítida. Em 2025, os maiores volumes absolutos de registros no Brasil estão em aves (19.011.519), plantas (11.157.476) e artrópodes (3.694.793). O IBGE também aponta maiores incrementos em fungos (176,6%), seguidos por mamíferos (155%) e peixes (139,9%) em relação a 2022.

  • Conservação: melhora a definição de estratégias com base em padrões reais (migração, reprodução e habitats)
  • Saúde: ajuda a reduzir o “achismo” sobre quem existe, onde aparece e quando importa, apoiando a compreensão de riscos
  • Cobertura: dá pistas mesmo quando a espécie é difícil de detectar, considerando trajetos migratórios
  • Fonte de dados: inclui participação da comunidade, que representa 49,83% das ocorrências disponíveis

No fim, é isso que aterrissa o “e daí pra mim?”: mapear biodiversidade melhora as decisões para proteger espécies e também amplia o entendimento sobre riscos à saúde, porque conhecimento do território organiza o que se sabe sobre presença, tempo e lugar.

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