Política & Gestão

Saúde do idoso na Bahia mobiliza pesquisas do CREASI sobre desigualdade social

Estudos baseados no perfil da população local buscam adaptar o atendimento do SUS às diferentes realidades de envelhecimento.

Publicada em 28 de maio, 2026.

Atualizada em 5 de setembro, às 10:01.

Saúde do idoso na Bahia mobiliza pesquisas do CREASI sobre desigualdade social
Ascom/Creasi

Envelhecer é uma certeza, mas a forma como cada pessoa chega à linha de chegada varia muito. Na prática, é como uma corrida de rua em que alguns correm no plano, enquanto outros precisam subir uma ladeira íngreme carregando uma mochila pesada.

Para debater essas diferenças, o Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (CREASI) promoveu a sua IV Mostra Científica. O evento reuniu estudos em geriatria e gerontologia (o estudo científico do envelhecimento) para discutir como as desigualdades estruturais e o passado escravagista moldam a saúde na velhice.

A escolha da Bahia para esse debate não ocorreu por acaso. O estado concentra a maior população negra do país, somando quase 80% dos moradores, de acordo com o Censo 2022 do IBGE.

Segundo a médica Diana Noronha, da Comissão Local de Pesquisa do CREASI, a grande maioria dos pacientes atendidos são mulheres negras, com dependência física e vulnerabilidade social. O histórico de desigualdade define como essas pessoas envelhecem e de que forma acessam os serviços públicos de saúde.

Durante o evento, especialistas debateram como a trajetória social e histórica dita o envelhecimento através de determinantes sociais da saúde (fatores sociais, econômicos e culturais que influenciam as condições de vida).

O que muda na prática

Para ajudar a aliviar o peso dessa corrida desigual, os profissionais usam a ciência para aperfeiçoar o atendimento diário no SUS (Sistema Único de Saúde). Uma das ferramentas é o Laboratório de Inovação e Pesquisa sobre a Pessoa Idosa (LIPPI/CREASI), coordenado pela especialista Pâmela Leal, que transforma a rotina clínica em soluções científicas.

Os principais destaques do evento incluem:

  • Painel de Inovação: Apresentação de 6 trabalhos de profissionais da saúde voltados a melhorar os fluxos de trabalho.
  • Integração na gestão: Alinhamento de pesquisas com a SESAB (Secretaria da Saúde do Estado da Bahia), representada por dirigentes como Luciano de Paula Moura (SUPERH), Lívia Pereira (COGEC/SAFTEC) e Rutinhea Santos de Santana (SAIS).
  • Foco no paciente: Aplicação prática de dados para acolher idosos vulneráveis, conforme defendido pela diretora do centro, Helena Pataro Novaes.

No final das contas, o evento consolida a importância de estruturar um atendimento público humanizado e voltado à realidade local, garantindo que o envelhecer seja um direito respeitado para todos.

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