Vacinação: Paraná lidera evento nacional com estratégias que tiram o SUS do papel
Publicada em 18 de junho, 2026.
Atualizada em 20 de agosto, às 14:00.
Ir ao posto de saúde tomar vacina parece um ato simples, mas fazer com que milhões de pessoas mantenham a carteirinha em dia exige uma operação de guerra nos bastidores.
É como organizar aquele churrasco de condomínio para centenas de vizinhos: se cada um trouxer o que quiser, sem avisar ninguém, a festa vira um caos. Na saúde pública, o desafio do Paraná foi criar uma lista única para garantir que nenhum morador ficasse sem o seu espetinho — ou, no caso real, sem a sua dose de proteção.
O estado levou essa receita de organização para a II Mostra de Experiências Exitosas da Gestão Estadual do SUS, em Brasília, evento organizado pelo Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) na sede da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde). Das 109 iniciativas selecionadas no país inteiro, 25 eram paranaenses, o maior volume do evento. O secretário estadual da Saúde, César Neves, atribuiu o destaque ao engajamento das equipes locais.
A Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) dividiu as soluções em frentes práticas. Nas escolas, a parceria coordenada por Virgínia Dobkowski cobrou a carteirinha de vacinação na matrícula e gerou mais de 4,7 mil ações em escolas e CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil) em 2025 para atualizar as doses pendentes.
Já na campanha contra a gripe, sob liderança de Luciana Sipoli na regional de Londrina, o foco foi a eficiência: a região distribuiu cerca de 90% das doses recebidas e aplicou de fato 86,13% delas nos municípios. A cidade de Primeiro de Maio liderou o aproveitamento, aplicando 99,89% das vacinas enviadas.
O ponto-chave para conectar tudo isso foi a saúde digital. A diretora Maria Goretti David Lopes coordenou o mutirão para integrar as prefeituras à RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde, o banco de dados unificado do governo federal). Após um decreto estadual em abril de 2025, a adesão disparou: mais de 380 cidades já integraram seus sistemas, alcançando 93% do estado.
O que muda na prática
A integração de dados permite que os profissionais de saúde acompanhem as coberturas em tempo real e façam uma busca ativa mais rápida de quem esqueceu de tomar a vacina.
- Ações escolares: mais de 4,7 mil atividades de imunização em escolas e creches em 2025
- Estoque inteligente: retenção estratégica de 49 mil doses para evitar o desabastecimento na regional de Londrina
- Conectividade: integração de 93% das cidades à rede de dados federal para atualizar cadastros rapidamente
Na prática, o morador ganha um atendimento mais ágil no posto de saúde, enquanto o estado economiza recursos públicos ao evitar o desperdício de ampolas e centralizar as informações em um único sistema digital seguro.

