Teste do Pezinho e doença falciforme: o diagnóstico que muda tudo cedo
Publicada em 19 de junho, 2026.
Atualizada em 15 de julho, às 16:01.
No Dia Mundial de Conscientização da Doença Falciforme, em 19 de junho, a SES-TO reforça um ponto que interessa desde o berçário: descobrir cedo a doença genética ajuda a reduzir complicações e melhora a vida de quem convive com ela.
Hoje, 685 pacientes fazem acompanhamento nos ambulatórios de hematologia do Estado, em Palmas e Araguaína.
O que é a doença falciforme? Ela acontece quando há alterações nos glóbulos vermelhos do sangue (as células que carregam oxigênio). Em vez de circularem como deveriam, eles passam a ter formato semelhante ao de uma foice, o que dificulta o fluxo sanguíneo e o transporte adequado de oxigênio para órgãos e tecidos. O resultado pode ser uma série de complicações de saúde.
A peça que encaixa cedo nesse quebra-cabeça é o diagnóstico. O teste usado para isso é a Triagem Neonatal, conhecida como Teste do Pezinho, feito nos primeiros dias de vida. A confirmação pode ser feita também pelo exame de eletroforese de hemoglobina (um exame que mostra como está a hemoglobina no sangue).
O que muda na prática
O hematologista da SES-TO, Rodolfo Batista Soares Vargas, resume o impacto: com a identificação pelo Teste do Pezinho, os cuidados podem começar ainda nos primeiros meses de vida. Isso reduz o risco de infecções graves, hospitalizações e outras complicações, além de orientar a família sobre os cuidados para apoiar o desenvolvimento da criança.
Em termos de sinais, os sintomas costumam aparecer a partir da segunda metade do primeiro ano de vida. Entre os mais comuns estão anemia crônica, cansaço e fraqueza, além de dores intensas nos ossos e articulações, inchaço nas mãos e nos pés, infecções frequentes, febre e icterícia (pele e olhos amarelados).
Quando a doença fica mais grave, pode haver complicações pulmonares, renais e cardíacas, e também aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC). As crises dolorosas acontecem por obstrução dos vasos sanguíneos pelas hemácias alteradas. Outra manifestação possível na infância é a síndrome mão-pé, com inchaço e dor nas extremidades.
Para entender a rotina de cuidado, pense numa manutenção contínua de ônibus em estrada: não dá para “consertar só quando quebra”. Com acompanhamento, prevenção e tratamento, o objetivo é evitar que pequenos problemas virem estragos grandes.
No Tocantins, os pacientes são encaminhados pelas unidades de saúde via Sistema de Regulação (SISREG) para ambulatórios de hematologia. O acompanhamento é feito por equipe multiprofissional, com médicos hematologistas, pediatras, enfermeiros, farmacêuticos, assistentes sociais, psicólogos, dentistas, fisioterapeutas e nutricionistas.
O tratamento inclui medidas preventivas, acompanhamento regular e medicamentos conforme a necessidade. Crianças com até cinco anos recebem Fenoximetilpenicilina Potássica para prevenir infecções, uma das principais causas de complicações nessa faixa etária. Em alguns casos, também pode ser indicado hidroxiureia, que ajuda na redução das crises dolorosas e de outras complicações.
Como não existe cura, o foco é manter o controle dos sintomas e prevenir complicações. A SES-TO orienta vacinação em dia, hidratação, alimentação saudável, exames periódicos e acompanhamento médico regular. E pede atenção imediata diante de sinais como febre, dores intensas, falta de ar ou alterações neurológicas.
- Público-alvo: crianças identificadas pelo Teste do Pezinho e pacientes acompanhados nos ambulatórios
- Foco do cuidado: diagnóstico precoce para reduzir infecções graves, hospitalizações e outras complicações
- Tratamentos citados: Fenoximetilpenicilina Potássica (até cinco anos) e, em alguns casos, hidroxiureia
- Sinal de alerta: febre, dores intensas, falta de ar e alterações neurológicas
Ou seja: quando o diagnóstico chega cedo, a chance de cuidar melhor desde o começo cresce. E daí pra mim, aqui na prática, é saber que esse “teste do pezinho” pode ser o primeiro passo para evitar sofrimento maior depois.
