Política & Gestão

Atendimento domiciliar em BH libera leitos e trata pacientes no próprio sofá

O encaminhamento para o serviço é automático e o paciente recebe a primeira visita em casa em até 48 horas após a indicação médica.

Publicada em 27 de maio, 2026.

Atualizada em 7 de setembro, às 12:01.

Atendimento domiciliar em BH libera leitos e trata pacientes no próprio sofá
Prefeitura de Belo Horizonte

Imagine receber alta do hospital, mas ainda precisar de curativos ou fisioterapia e poder fazer tudo isso deitado na sua própria cama. Na prática, o Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) da Prefeitura de Belo Horizonte funciona como um verdadeiro delivery de saúde: em vez de o paciente enfrentar filas ou ocupar uma vaga na UPA, a estrutura médica vai até a casa dele.

Assim como a gente prefere pedir uma entrega em casa para evitar o estresse do trânsito, esse modelo de atendimento evita que o paciente precise voltar ao hospital desnecessariamente. Essa lógica desafoga as emergências e abre espaço para quem realmente precisa de internação.

Segundo Renata Mourão, Diretora de Urgências e Emergências, a rotatividade de pacientes ajuda a liberar leitos e diminui riscos comuns do ambiente hospitalar, como infecções. Entre julho e dezembro de 2025, essa estratégia gerou 769 giros de leitos hospitalares (a liberação de vagas para novos internados) na capital.

A demanda por esse delivery médico cresce ano a ano. Em 2024, o programa atendeu mais de 6,2 mil pessoas. No ano seguinte, o total saltou para mais de 7,8 mil pacientes — um avanço de 26%. O ritmo continua forte: apenas entre janeiro e fevereiro de 2026, as equipes já assistiram quase 2 mil usuários.

Para fazer a engrenagem funcionar, o atendimento conta com equipes multiprofissionais formadas por médicos, engenheiros, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, assistentes sociais, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos e terapeutas ocupacionais (profissionais que ajudam a reabilitar o paciente para as atividades do dia a dia).

O que muda na prática

Para entrar no programa, o paciente não precisa passar por agendamentos complexos. A própria rede de saúde cuida da transição.

  • Encaminhamento: O processo ocorre de forma exclusiva pelo hospital ou UPA onde a pessoa estava internada.
  • Prazo: A equipe faz a admissão em até 48 horas após a indicação médica.
  • Requisitos: O paciente precisa ter diagnóstico definido, plano de tratamento traçado e contar com um cuidador ou familiar disponível na residência.
  • Continuidade: Os profissionais realizam os procedimentos em casa e depois articulam a transição do paciente de volta para o posto de saúde de referência.
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